quinta-feira, 9 de março de 2017

TESTES PRÉ-CLÍNICOS Vacina contra zika será testada em macacos


Após os experimentos em camundongos e no mosquito Aedes aegypti, agora é a vez dos macacos




A vacina ainda não poderá ser aplicada em gestantes, mas outra tecnologia está sendo desenvolvida para ser utilizada em grávidas ( Foto: Agência Fio Cruz )
 por Karine Zaranza - Repórter

O desenvolvimento da vacina contra o Zika vírus, resultado da parceria entre o Instituto Evandro Chagas (PA), Ministério da Saúde e Universidade Medical Branch do Texas (EUA), entra na última fase dos testes pré-clínicos. De acordo com o diretor do Instituto, Pedro Vasconcelos, após os experimentos em camundongos e no mosquito aedes aegypti, agora é a vez dos macacos. "A fase dos macacos é mais demorada por se tratar de um animal mais evoluído e mais próximo aos humanos. Esse experimento deve se estender até abril ou início de maio", explicou.

Depois disso, com os resultados apresentados, se inicia os procedimentos para análise de registro junto a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) para o começo dos experimentos em humanos. "Essa fase deve ficar sob responsabilidade do Instituto de Tecnologia em Imunobiológicos (Bio-Manguinhos), unidade da Fiocruz no Rio de Janeiro. Primeiro porque eles têm experiência e segundo porque eles produzirão a vacina", explica Pedro Vasconcelos. Os resultados preliminares obtidos pelo Instituto Evandro Chagas foram promissores para esses candidatos vacinais.

O diretor do Instituto acredita que em dois anos já será possível que o imunobiológico já esteja sendo administrado e distribuído nos postos de saúde. A preocupação é que haja agilidade nos processos para que o produto possa prevenir a transmissão do vírus para as mulheres e suas consequências, como a microcefalia. "Acreditamos que uma epidemia como ocorreu em 2015, se houver nessa grandeza, será em cinco anos. Os especialistas apontam casos em ondas. Até lá, teremos a vacina disponível nos postos antes de uma nova onda epidêmica", acredita.

O imunobiológico deverá ser administrado em dose única e utilizará o vírus Zika atenuado. Inicialmente, o público-alvo serão mulheres em idade fértil e seus companheiros, uma vez que as pesquisas apontam a possibilidade de transmissão através da relação sexual. A vacina não poderá ser aplicada em gestantes, mas o Instituto Evandro Chagas também desenvolve outra tecnologia, a partir do DNA recombinante do vírus para ser utilizada em grávidas.

Estados

O recrutamento das pessoas e pesquisadores para a realização dos testes da vacina em humano deve ser realizado pelo Instituto Bio-Manguinhos. No entanto, Vasconcelos acredita que haverá essa testagem em vários estados do Brasil. "Principalmente porque a grande maioria dos casos aconteceu no Nordeste. Eles devem já estar fazendo alguns contatos com pesquisadores do Ceará, Rio grande do Norte, Pernambuco e Bahia para ver o interesse. Mas o procedimento é com eles", explica. O Bio-Manguinhos foi procurado, mas não tinha um responsável que pudesse responder sobre a pesquisa até o fechamento da matéria.

O estudo conta com um investimento de aproximadamente R$10 milhões do Ministério da Saúde. Por ser uma vacina desenvolvida, produzida e 100% financiada no Brasil, garante que ela seguirá as mesmas diretrizes e legislações adotadas em outros imunobiológicos desenvolvidos pelo Instituto Bio-Manguinhos. "Como é o Ministério da Saúde que financia, há a garantia da compra e distribuição nos postos", afirma Vasconcelos.

Boletim

A Secretaria da Saúde do Estado (Sesa) divulgou a última atualização semanal das Doenças de Notificação Compulsória. O boletim revelou que, na semana epidemiológica 8 e 9 de 2017, foram registrados 18 casos de zika vírus, sendo 4 em gestantes. No boletim da Sesa de zika congênita (microcefalia), o total de notificações, desde o início da ocorrência (2015) até a semana epidemiológica 8 de 2017, é de 649 casos, sendo que 159 foram confirmados, 342 descartados, 4 inconclusivos, 2 prováveis e 142 estão em investigação.

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