quarta-feira, 29 de março de 2017

Extrativistas estão apreensivos com a derrubada de pequizeiros na região do Cariri




Catadores de pequi pensam em registrar denúncia
pedindo providências para preservar
espécie. FOTO: Serena Morais

Depois do jatobá, umbuzeiro, jaborandi, bromélias e outras espécies cearenses que estão na lista de árvores em extinção divulgada pelo Ministério do Meio Ambiente, o pequizeiro pode integrar a relação. É o que preveem os catadores do fruto na Serra do Araripe e nas terras arenosas do Cariri, onde a árvore está sendo brutalmente cortada e eliminada pela exploração imobiliária. Nesses casos, quase não há o replantio e nem punição para os responsáveis pelo crime ambiental, já que o pequizeiro é protegido por Lei Federal que impede seu corte e a comercialização de mudas.

Para Arlindo Nogueira e Carlota Maria, catadores há 27 anos, muitos pequizeiros estão morrendo sufocados pela densa vegetação da Chapada do Araripe e pela falta de zelo. Os catadores estudam a possibilidade de encabeçar um abaixo-assinado e registrar denúncia junto aos órgãos competentes, pedindo providências e a aplicação das normas vigentes para evitar a extinção da espécie. “Nunca presenciamos tanta negligência com o nosso pequizeiro. Não se trata somente de uma árvore, mas de um fruto nutricional, rico em vitaminas A e C, cálcio, fósforo, ferro, fibras e proteínas, que na época de safra oportuniza emprego e renda para centenas de famílias, com reflexos positivos na economia do Cariri, além de ser alimento saboroso, grande poder medicinal e é uma planta referencia na região”.

A saída do escritório regional do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama) do Crato pode ser um agravante, do ponto de vista de fiscalização no combate ao corte do pequizeiro na região. Tota Lobo é um dos grandes defensores do pequi no Cariri e ex-presidente da Associação de Moradores do Sítio São José, em Crato. Ele conta que a derrubada do pequizeiro caririense é notório e compartilha da mesma opinião de que, se nenhuma providência for tomada, a extinção é o futuro certo da árvore.

Tota Lobo disse que nas terras do Sítio São José e Santa Rosa existiam mais de 500 pés de pequis. Hoje, segundo ele, o plantio nas duas áreas não chega a 300 unidades. Ele é coordenador de um viveiro de mudas e afirma que a realização de replantio para sobrevivência da espécie é insignificante. Conforme Tota Lobo, a produção do fruto no Cariri vem sendo reduzida a cada safra, distanciando a região dos maiores produtores do Brasil (Goiás, Minas Gerais, São Paulo, Bahia e Distrito Federal).

“Caso não seja feito nada em prol da sobrevivência, o nosso pequi vai desaparecer completamente. Precisamos de uma força tarefa que envolva Ministério do Meio Ambiente, Promotoria Pública, Poder Judiciário, prefeituras e demais órgãos governamentais. A população deve exigir das autoridades a aplicação das leis que proíbem a derrubada do pequizeiro”, disse Tota Lobo.

Técnicos da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) estiveram no Cariri buscando alternativa tecnológica para o uso mais amplo do pequi, atualmente consumido somente de forma cozida, por falta de tecnologia para transformar seus derivados em outros produtos de consumo. Eles estão preocupados com a possibilidade do pequizeiro entrar na linha de extinção, o que seria um prejuízo incalculável ao meio ambiente e à economia de vários municípios caririenses.Para o extrativista Orlando Mascarenhas de Oliveira, o sonho dos catadores do Cariri é dotar a região de laboratórios com equipamentos capazes de extrair do pequi toda a riqueza que o fruto tem, como uma pasta que pode ser consumida em pães, biscoitos, sopas, molhos e outros pratos típicos. “Esse derivado pode ser armazenado por quase um ano, sendo consumido por todo o período da entressafra. Com a ameaça de extinção do pequizeiro, esse projeto de industrialização do fruto fica cada vez mais inviabilizado”, disse o extrativista. (Jornal do Cariri)

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