terça-feira, 17 de novembro de 2015

Associação usa música instrumental para inclusão social no interior do Ceará



Por Marianna Gomes em  Cotidiano

Fundada em 1987, a Associação Comunitária O Guarani atende cerca de 150 crianças e adolescentes e já formou diversos musicistas

Fundada em 1987, a associação trabalha a música instrumental como elemento de inclusão social por meio do programa “Cultura musical”, que atende cerca de 150 crianças e adolescentes. (FOTO: Arquivo pessoal)
Fundada em 1987, a associação trabalha a música instrumental como elemento de inclusão social por meio do programa “Cultura musical” (FOTO: Arquivo pessoal)
Aos 9 anos, Marina Franco, natural da cidade de Campos Sales, interior do Ceará, tocou flauta pela primeira vez. Atualmente, com 21, a cearense já participou de inúmeros festivais de música a nível nacional. Para o próximo ano, uma apresentação na Europa será o destino da jovem musicista, que descobriu o amor pelas notas musicais e instrumentos de sopro graças àAssociação Comunitária do Guarani, localizada em seu município de origem.
Fundada em 1987, a associação trabalha a música instrumental como elemento de inclusão social por meio do programa “Cultura musical”, que desenvolve, há mais de 10 anos, diversos projetos voltados para a formação de musicistas no interior do Ceará. As aulas oferecidas pela associação abordam todos os tipos de instrumentos, com foco na flauta doce.
A instituição é mantida por doações e editais do Governo do Estado. “Desde a criação, a Guarani tem o apoio da ChildFundBrasil, que é uma organização internacional de fundos para crianças, ela é uma base para nos mantermos de pé”, informa a coordenadora pedagógica da organização, Regineide Soares. 
Segundo a coordenadora, as atividades culturais desenvolvidas pela Guarani serviam de tarefas complementares das escolas da rede pública. “O projeto serviu para, de certa forma, motivar mais as crianças a irem ao colégio. Atualmente, contamos com mais de 150 membros engajados no programa, com faixa etária entre 6 e 16 anos. As atividades são realizadas duas vezes por semana e organizadas por grupos”, explica. 
Caminho na música
Há dois anos na capital, a jovem musicista já faz parte do grupo mais antigo de músicas tradicionais da cidade. (FOTO: Arquivo pessoal)
Há dois anos na capital, a jovem musicista já faz parte do grupo mais antigo de músicas tradicionais da cidade (FOTO: Arquivo pessoal)
Marina iniciou na flauta doce e participou por cerca de seis anos da “Orquestra de Flautistas Guarani”, grupo oficial da organização. Aos 15, tornou-se multiplicadora e passou a ensinar as crianças a tocar o instrumento. “Com o passar dos anos, fui aprendendo a tocar todos os tipos de flautas. Dentro da orquestra, fiz parte de todos os grupos, como o de chorinho, que nos rendeu premiação em um festival nacional”, comenta.
Para aprofundar os conhecimentos e se especializar de vez na música, a jovem resolveu arriscar e tentar uma bolsa de estudos para o Laboratório de Práticas Culturais e Tradicionais do Instituto Federal do Ceará (IFCE) em Fortaleza, e passou. Há dois anos na capital, Marina já faz parte do grupo mais antigo de músicas tradicionais da cidade. “Fazemos apresentações pelo Ceará e Brasil. No começo do próximo ano, vou me apresentar na França, que tem um festival específico para mostrar a cultura musical do país, além de outras apresentações outros países vizinhos”, revela.
Para Marina, sua formação tanto profissional, quanto pessoal se deve à associação. “Além das aulas de música, lá nos trabalhávamos muito a questão da ética, do respeito e de trabalhar em conjunto, eles me ensinaram a ser uma pessoa melhor. Se não fosse a Guarani eu não teria me encontrado e conquistado tanta coisa em tão pouco tempo. A música que aprendi lá, inicialmente, é o que me faz querer nunca parar“, desabafa.
“A música que aprendi lá, inicialmente, é o que me faz querer nunca parar” (Marina Franco)
Leonardo Silva também foi multiplicador da associação e teve o início na vida instrumental com a flauta doce. “Os instrumentos de sopro sempre despertaram muita curiosidade, quando vi que a Guarani oferecia essas aulas gratuitas não pensei duas vezes. Atualmente, continuo pesquisando sobre música”, diz. Leonardo conta que o maior aprendizado, durante o tempo em que ensinou as crianças da organização a tocarem, foi o empenho dos pequenos e o interesse deles em aprender.
Orgulhosa, a coordenadora Regineide Soares conta que vários alunos que passaram pela organização encontraram seu caminho na música, como Marina e Leonardo, e outros atuam como ampliador do conhecimento adquirido. “Isso é muito gratificante”, comemora.

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