segunda-feira, 10 de agosto de 2015

CRATO: Projeto de R$ 1,2 mi prevê melhorias para Camelódromo

CRATO: Projeto de R$ 1,2 mi prevê melhorias para Camelódromo


(Foto: Robson Roque)
Crato. Os permissionários dos boxes do camelódromo deste município reivindicam infraestrutura de forma urgente do espaço, por falta de condições adequadas de funcionamento. Mesmo com um projeto pronto, encaminhado pela prefeitura ao Estado, ainda não há uma previsão de quando a construção do local poderá ser iniciada.

Avaliado em mais de R$ 1,2 milhão, os vendedores aguardam um posicionamento do governador Camilo Santana, que no mês passado garantiu apoio ao projeto. O local, uma pequena área, abriga 175 vendedores com suas barracas instaladas de forma desordenada, com várias ligações irregulares de pontos de energia, o que aumenta os riscos de incêndio no local. Os técnicos classificam o espaço como um 'barril de pólvora'.

O projeto prevê a construção de um galpão, com todos os boxes estruturados por setores de compras, incluindo confecções, alimentos, calçados e importados em setores separados. São mais de duas décadas de funcionamento de um espaço que começou com cerca de 40 barracas, em chão batido, sem nenhuma estrutura.  
Aos poucos foi aumentando a quantidade de produtos e vendedores, tornando o local de vendas de produtos populares um dos mais frequentados da cidade. As mercadorias e barracas possuem materiais altamente inflamáveis, como plásticos.

O sargento do Corpo de Bombeiros João Bosco afirma que vez por outra vai ao local e já orientou por diversas vezes os comerciantes informais. Há cerca de 10 anos, ele ia passando próximo ao espaço, por volta das 19 horas, e detectou, por acaso, um foco de incêndio em uma das barracas. A suspeita da origem do fogo foi de um curto circuito. Desde orientações de se manter os extintores atualizados, aos alertas constantes em relação ao manuseio de produtos no local, ele ressalta os riscos presentes na área de comercialização.

Debate

Uma maquete eletrônica do projeto do camelódromo foi feita pela prefeitura, que segundo a Secretaria da Cidade, alegou falta de recursos para bancar toda a obra. O projeto chegou a ser debatido várias vezes com os próprios vendedores, para adequações necessárias, e simplificadas ao máximo, possibilitando a viabilidade da construção.

O presidente da Associação dos Comerciantes Informais do Crato (ACIC), Paulo Ferreira dos Santos, ressalta que se sente esperançoso com as promessas de melhorias. Ele lembra que são mais de 20 anos no velho espaço, convivendo com riscos e falta de estrutura. "Os vendedores tomam cuidado para evitar a ocorrência de sinistros na área. Queremos um novo ambiente, mas todo estruturado e seguro. O apoio financeiro pode ser o grande passo para realização de um sonho", diz.

Mesmo com a ausência de condições de funcionamento, o presidente do sindicato afirma que as pessoas não têm para onde ir de forma permanente. Caso haja a reforma, estarão temporariamente num espaço próximo, para manter a comercialização dos seus produtos, e , ao retornarem, vão continuar o processo de administração do novo camelódromo, que por muitos anos vem sendo chamado pela população local de "buraco do prefeito".

Parceria

Segundo o secretário municipal da Cidade do Crato, José Muniz, desde que o governador esteve em Crato, no mês e julho, ainda não foi realizada uma reunião para tratar do assunto, mas ele assegura que o projeto já foi encaminhado ano passado, no intuito de firmar uma parceria para a viabilidade da obra. Tanto o Corpo de Bombeiros da cidade, como o Ministério Público, já cobraram uma solução para a problemática. O presidente da associação afirma que essa situação, com o quadro de realidade que se tem vivenciado no Estado, acontece apenas em Crato, mesmo diante das péssimas condições de muitos mercados públicos da região. "Estamos aqui por necessidade de sobrevivência. Essas pessoas não têm outro lugar para trabalhar", afirma ele, mesmo admitindo os riscos presentes na área.

Lama

A comerciante Maria Ilza Bento, há três anos vende no espaço desde temperos, plástico, alumínio, entre outros produtos. Ela relata a dificuldade que é poder negociar no local, principalmente em período chuvosos. O camelódromo, segundo ela, fica tomado de água e lama. Mesmo com um extintor ao lado de sua barraca, ela afirma ter consciência dos riscos de incêndio, pela grande quantidade de papelões e plásticos nas barracas. "Já quis investir em melhorias, mas todos estão aguardando a construção do camelódromo. Esperamos que se concretize o quanto antes", afirma.

Há quase 20 anos no local, o vendedor Francisco Albuíno Gomes, diz que a situação é péssima. Ele, mais cerca de 40 pessoas, iniciaram as atividades no espaço. Hoje, são quase 200 pessoas. Antes funcionou no terreno um mercado de carnes e a garagem da prefeitura. Com a retirada dos ambulantes das ruas, foi oferecido o camelódromo de forma provisória. Até hoje, com uma situação bem mais agravada, é cada vez maior a quantidade de pessoas e, junto dessa realidade, mais riscos, ao ter que passar os dias comercializando, em busca de sobrevivência.

ENQUETE

Quais os desafios atuais?

"A nossa maior dificuldade é a falta de infraestrutura do espaço. Nem todo cidadão, com essas condições que temos aqui, vai entrar no local. Não tem ventilação, há muita mercadoria, calor excessivo e lama durante a chuva"

Paulo Ferreira dos Santos

Presidente da associação

"Estou desde o começo da abertura do local e posso dizer que hoje a situação é péssima, mas precisamos do espaço para buscar a nossa sobrevivência. Faz tempo que a gente luta por melhores condições"

Francisco Albuíno Gomes

Vendedor

Elizângela Santos

Colaboradora / Diário do Nordeste    

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