sexta-feira, 13 de janeiro de 2017

Começa hoje o Encontro dos Profetas da Chuva

QUIXADÁ


00:00 · 13.01.2017 por Honório Barbosa - Colaborador
Os profetas observam o vento, os animais, a lua cheia, as pedras de sal, a floração de determinadas árvores da Caatinga ( Foto: Honório Barbosa )

Quixadá. O Semiárido brasileiro tem grande dependência das chuvas. Ainda mais depois de cinco anos seguidos de pluviometria abaixo da média. O sertanejo quer saber se haverá um bom inverno. Nesta cidade, no Sertão Central, será realizado hoje e amanhã, o XXI Encontro dos Profetas da Chuva, que reúne agricultores, técnicos e curiosos para ouvir previsões populares.

A programação desta sexta-feira começa com o encontro, a partir das 14h, do Comitê Estadual da Seca, na Câmara Municipal, com a participação de secretários do governo do Estado, lideranças políticas e comunitárias da região. A reunião vai discutir ações em andamento para a convivência da população do Interior com os efeitos da estiagem, que se agrava no sertão.

No sábado, a partir das 8h, começa, no auditório do campus do Instituto Federal de Educação, Ciência e Tecnologia do Ceará (IFCE) o Encontro dos Profetas da Chuva. Não há uma programação pré-definida, avisa um dos fundadores do evento, o empresário João Soares. "Secretários de governo, prefeito, técnicos de instituições convidadas têm o espaço aberto para se pronunciarem. Por último falam os profetas, relatando as suas experiências", explicou Soares. Antes, haverá apresentação de duplas de violeiros, dentre eles, está confirmada a participação de Geraldo Amâncio e Edmilson Soldado.

A organização do encontro prevê a participação de cerca de 30 profetas e mil pessoas. "É um evento que vem crescendo a cada ano", disse Soares. "O nosso esforço é manter viva essa tradição, a nossa cultura, pois os nossos pais, avós sempre se preocuparam com o inverno, olhavam para a natureza para saber se haveria muita ou pouca chuva a cada ano".

O encontro é promovido pelo Instituto de Pesquisa da Viola Cultural do Sertão Central. Começou de forma tímida, a partir de uma sugestão dada pelo próprio Soares ao engenheiro Químico da Cagece Hélio Cortez, que a cada ano observava o comportamento dos agricultores que sempre indagavam ser haveria ou não um bom inverno. "As pessoas insistiam, perguntavam ao Cortez e ele me falou muito sobre isso, quando fui presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL) de Quixadá. Então tive a ideia de reunir, convidar os profetas da chuva", explicou.

Depois de 20 anos de organização, o evento se mantém firme e até incentiva as observações entre os parentes dos profetas. "A gente pede para que a família não deixe morrer a tradição, aprenda com os pais, com os avós", diz Soares. "Eu avalio que o encontro é marcado de muita expectativa e há uma margem de acerto em torno de 60% das previsões anunciadas entre a maioria dos participantes".

É feito um ranking entre as previsões e o prognóstico segue a tendência da maioria. Os profetas observam o comportamento do vento, dos animais (formiga, cupim, pássaros), da lua cheia em dezembro e janeiro, das pedras de sal, da formação da barra de nascimento (Natal) e do Ano-Novo, floração de determinadas árvores da Caatinga, o ninho do joão-de-barro. Cada um traz a sua experiência própria.

Em 2015, os profetas, em sua maioria, acreditavam que haveria um bom inverno encerrando o ciclo da seca que iniciara em 2012. Infelizmente, o quadro de estiagem se agravou. No ano passado, o grupo se dividiu entre previsões boas e desfavoráveis.

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