quarta-feira, 5 de abril de 2017

Doença de Parkinson pode estar associada às nossas bactérias intestinais SAÚDE



de Julia Moretto



Pesquisadores descobriram outra razão para pensar que os sintomas da doença de Parkinson podem ser consequência das bactérias que vivem em nosso intestino.




Essas descobertas podem nos ajudar a usar nossas bactérias intestinais para não apenas diagnosticar o transtorno mais cedo, mas também para criar tratamentos mais direcionados. Uma vez referida como “paralisia agitada”, a doença de Parkinson é caracterizada por tremores e perda de controle motor. Quando mais avançada, no estado de demência, o paciente tem dificuldade de caminhar e, às vezes, depressão crônica.



Nos últimos anos, os cientistas que estudam a causa da doença de Parkinson deslocaram sua atenção do sistema nervoso para os habitantes do nosso intestino.Agora, uma equipe de cientistas da Universidade do Alabama, em Birmingham, nos EUA, contribuiu com mais uma peça de evidência ligando a doença de Parkinson à nossa comunidade pessoal de microrganismos – ou microbiota.



“Sabemos que uma microbiota intestinal bem equilibrada é crítica para a manutenção da saúde geral. As alterações na composição da microbiota intestinal têm sido associadas a uma série de distúrbios“, disse o pesquisador Haydeh Payami. Os pesquisadores analisaram amostras de micróbios intestinais de 197 pacientes com doença de Parkinson de Seattle, Nova York e Atlanta – representando três regiões distintas dos EUA – e compararam suas espécies e funções com amostras colhidas de 130 indivíduos sem a condição.



Não só os resultados mostraram diferenças no número e tipos de bactérias entre os dois grupos, mas também uma diferença no metabolismo de vários medicamentos. Em outras palavras, ou os vários medicamentos tomados por aqueles com doença de Parkinson também tinham impacto sobre as bactérias, ou sua microbiota estava afetando a forma como seus corpos responderam a tratamentos farmacêuticos.



Microrganismos no nosso sistema digestivo possuem um papel importante na quebra dos chamados xenobióticos – produtos químicos que não estão normalmente no interior de um organismo. Isso inclui não só medicamentos utilizados para tratar doenças como o próprio Parkinson, mas também os produtos químicos no seu ambiente, como pesticidas e herbicidas. Dado que os agricultores parecem ser mais propensos à doença de Parkinson do que a população em geral devido à utilização de produtos químicos, é possível que as bactérias em suas entranhas possam ser as primeiras vítimas de seu corpo.



“Pode ser que, em algumas pessoas, uma droga alterea microbiotae provoque problemas de saúde adicionais sob a forma de efeitos colaterais“, disse Payami. “Outra consideração é que a variabilidade natural na microbiota poderia ser a razão de que algumas pessoas se beneficiem de um determinado fármaco e outras não.O crescente campo da farmacogenômica– adaptação de drogas com base na composição genética de um indivíduo – pode ter de levara microbiota em consideração“.



No ano passado, pesquisadores do Instituto de Tecnologia da Califórnia descobriram que camundongos que haviam sido projetados para serem suscetíveis à doença de Parkinson desenvolveram sintomas menos graves quando criados em condições estéreis. Injetar microflora em pacientes com Parkinson levou a uma rápida deterioração, sugerindo que o tipo de micróbio poderia ser pelo menos parcialmente responsável pela gravidade dos sintomas.



No entanto, o relacionamento é uma via de mão dupla, não estando claro se a microbiota interfere na doença, se a doença interfere nas bactérias do intestino, ou ainda, se ambas as coisas ocorrem, ou seja, é uma interação complexa que exige um estudo mais aprofundado.



Pesquisa publicada em Movement Disorders.

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