quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Soldadinho-do-araripe poderá ser extinto





Soldadinho-do-araripe. FOTO: Jornal do Cariri
A Associação de Pesquisa e Preservação de Ecossistemas Aquáticos (Aquasis) e o Instituto Chico Mendes da Conservação da Biodiversidade (ICMBio) realizaram, nos meses de novembro e dezembro de 2016, o segundo censo completo 2015/2016 do soldadinho-do-araripe (Antilophia Bokermanni) e constataram que houve redução de 12,3% no tamanho da população da espécie, em comparação a primeira contagem de 2013/2014.

O resultado surpreendeu os pesquisadores, que trabalhavam com a expectativa de continuidade de crescimento do bando. No ano 2000 eram 50 aves, com aumento para 250 indivíduos em 2004. Caso essa evolução tivesse sido mantida, o número de soldadinhos poderia estar em aproximadamente mil aves. Conforme a pesquisa, o município de Barbalha registrou a maior redução: 15,5%, seguido de Crato, com 11,6%, e Missão Velha, com 9,5%. Weber Girão, descobridor do soldadinho-do-araripe há 20 anos, explicou as três principais causas da diminuição do bando. “O primeiro fator está associado aos incêndios florestais que, nos últimos anos, têm ocorrido com bastante freqüência em toda área habitada pela espécie.

O fogo reduz o único local que o soldadinho sobrevive, já que se trata de uma ave inerente das florestas úmidas. O segundo motivo é o uso inadequado, pelo homem,
das águas de fontes naturais do sopé do Araripe, ou seja, o encanamento total dessas nascentes sonega a água que deveria ser consumida pelo soldadinho, que acaba morrendo de sede. A terceira razão é o desmatamento, que provoca os efeitos da seca”, contou o pesquisador.

Para o pesquisador, esses três fatores estão sendo suficientes para transformar, de forma agressiva e belicosa, todo o cenário que esta ave precisa para sobreviver e reproduzir. Ele prevê que, se o ritmo de redução se manter, nos próximos 15 anos, a espécie será extinta e seria a primeira em 115 milhões de anos a desaparecer definitivamente na Chapada do Araripe.

Estudos e pesquisas anteriores dizem que o soldadinho-do-araripe está no Cariri a até 18 mil anos atrás e, certamente, em população expressivamente maior do que a atual, que vem diminuindo de acordo com o aumento das transgressões praticadas pelo homem às leis ambientais.

“Nós precisamos ter consciência da importância de sermos os únicos viventes do planeta terra a convivermos pertinho de uma ave tão rara”, advertem. O Cariri é a única região do mundo habitada pelo soldadinho-do--araripe, numa área de aproximadamente 50 quilômetros quadrados, entre Missão Velha, Barbalha e Crato, e trata--se da única ave exclusiva do Ceará, habitante de florestas úmidas, que está na lista das demais 225 sob maior risco no planeta.

Para o professor de biologia da Universidade Federal do Cariri, Ricardo Damasceno Vieira, a diminuição do bando do soldadinho-do-araripe é um indicativo de que cada vez mais crescem as ocupações nas encostas vegetadas e as interferências do homem em áreas de preservação ambiental. O Biólogo Martins Vilmar já tem como certa a extinção do soldadinho-do- -araripe nas próximas duas décadas, como prevêem seus descobridores.

Ele não acredita na sensibilidade do homem em não agredir as nossas matas onde habita a espécie, se é que isso seja uma das principais causas da diminuição do bando. “Vejo com muita tristeza, mágoa e aflição essa possibilidade do desaparecimento total desta ave, no exato momento em que a população do Cariri começou a conhecê-la, depois de 20 anos de seu descobrimento”, concluiu. (Jornal do Cariri)

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