terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

CORRUPÇÃO Desconfiança social desafia partidos no País



Pesquisa mostrou que 91% dos entrevistados não acreditam que há partido político livre de corrupção no Brasil


Para Luiz Pontes, presidente do PSDB no Ceará, as siglas partidárias brasileiras estão vulneráveis pela legislação vigente e pela falta de ideologia ( Foto: José Leomar )
00:00 · 21.02.2017 / atualizado às 00:18

A 133ª Pesquisa CNT/MDA, realizada de 8 a 11 de fevereiro de 2017 e divulgada pela Confederação Nacional do Transporte (CNT) na semana passada, mediu, dentre outros pontos, a percepção dos brasileiros sobre a corrupção. Um dado que chama a atenção diz respeito à descrença das pessoas comuns para com os partidos políticos no País. Para 91% dos entrevistados, não existe partido político brasileiro livre de corrupção.

Em pesquisa anterior, de outubro de 2016, ao serem questionados sobre o grau de confiança em partidos políticos, 78,3% disseram não confiar em nenhum. Neste ano, entre os 5,7% que consideram que há partido político sem corrupção, são citados PSOL (7,8%), PMDB (7,8%), PT (7,0%), PV (6,1%), PSDB (4,3%), REDE (2,6%), Novo (2,6%) e PCdoB (1,7%).

Tal desconfiança tem sido um dos maiores desafios daqueles que comandam siglas partidárias. Para João Melo, secretário-geral do PMDB no Ceará, há, entretanto, "muito exagero na divulgação" de casos de corrupção, apesar de o problema não poder ser minimizado. "Isso é fruto, sobretudo, do clima emocional e de uma ferramenta que inovou a sociedade. As redes sociais não deixam de mostrar informações sobre casos de corrupção. O problema é que há nisso generalização".

Ele acredita que há soluções à corrupção. "Umas delas é mudar a cabeça da sociedade através da história, começando por baixo, trabalhando o pensamento das crianças e adolescentes. Foi assim que se fez em vários países", aponta. A outra forma, diz Melo, é investir em ferramentas de fiscalização. "A prevenção ainda é o melhor caminho para evitar desmandos e desvios".

Já Francisco De Assis Diniz, presidente estadual do PT, relata que, na eleição de 2016, viu-se o poder econômico patrocinar campanhas milionárias, mas fora da estrutura de contabilidade das siglas. Para ele, uma reforma política profunda é o que pode mudar o cenário de descrença quase que generalizada quanto à política. "A corrupção não faz referência a um ou dois partidos, mas um sistema que leva os partidos para dentro de uma roda. É isso o que está sendo feito", diz.

Ideologia

Por sua vez, Luiz Pontes, presidente do PSDB cearense, avalia que os partidos políticos estão em situação vulnerável. "A legislação é a mais arcaica e permite que não haja fidelidade partidária e tampouco os partidos têm ideologia definida. As legendas, principalmente as pequenas, estão para ser alugadas ou fazer oportunismo político", opina.

Ele defende uma alteração no sistema eleitoral para fortalecer os partidos que ainda possuem ideologia. "É recomeçar com projetos que acabem com o oportunismo de gente que procura mandatos pensando em dinheiro ou quaisquer outros benefícios".

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