segunda-feira, 12 de dezembro de 2016

COMÉRCIO AMBULANTE

Forte calor gera oportunidade de renda na Região do Cariri

Os cruzamentos mais movimentados estão cheios de ambulantes vendendo água mineral, picolé e água de coco

     Diário do Nordeste

00:00 · 12.12.2016 por André Costa - Colaborador

Nos termômetros de cidades como Juazeiro do Norte, as temperaturas registradas ultrapassam, em alguns dias, a casa dos 40ºC.

O forte calor registrado na região tem sido visto como oportunidade de geração de renda para pessoas desempregadas
Juazeiro do Norte. Nos últimos 80 dias, choveu apenas uma vez neste Município, conforme a Fundação Cearense de Meteorologia e Recursos Hídricos (Funceme). Essa última precipitação, de 11mm, veio após um longo período de estiagem e não foi suficiente para amenizar a forte onda de calor. Os termômetros ultrapassam, em alguns dias, a casa dos 40ºC.

O intenso calor, entretanto, foi visto, por alguns, como oportunidade. Em tempos de retração na economia e alta taxa de desemprego, em cada semáforo da cidade onde há maior fluxo de veículos dois ou três ambulantes comercializam água mineral, sorvete, picolé e água de coco. "Foi uma forma de ganhar dinheiro, já que estou desempregado há dois anos", diz Orlando Eduardo de Oliveira, um dos primeiros a iniciar a atividade.

O vendedor conta que, inicialmente, alternou entre os semáforos da Avenida Padre Cícero, próximo a dois atacados, e a Avenida Castelo Branco, ao lado do shopping. A estratégia de venda, no entanto, sofreu alteração ao longo dos dias. "Vi que era melhor escolher um local e ficar fixo. Percebi que, ao passar dos dias, os clientes iam se lembrando do meu rosto e eu tinha mais chance de vender ganhando a confiança deles", explica.

Renda

Apesar de não revelar quanto fatura por dia, Orlando, como é conhecido, afirma que "está dando para pagar as contas". A menos de 100m, outros dois ambulantes também viram o "bico" se transformar na principal fonte de renda. "Aqui o fluxo é grande, além de ser em frente ao shopping, é perto da parada de ônibus de Crato para Barbalha", afirma Luzinete Maria. De um lado da rua, ela vende água e, do outro, o esposo, água de coco.

A renda dos dois, asseguram, dá para manter em dias a prestação da motocicleta, comprada há dois anos, além de "pagar outras continhas". Apesar do sucesso nas vendas, o casal confidencia outros planos para 2017. "É duro trabalhar o dia todo no sol, desgasta e não temos nenhuma segurança, já que não há carteira assinada", reconhece Maria. "Torço para que as coisas no Brasil melhorem e a gente consiga um emprego", finaliza. Orlando compartilha a opinião e diz que pretende abrir seu negócio.

"Desde que comecei a vender água, há dois anos, perdi 13Kg. É um trabalho exaustivo. A gente tem que correr e não pode nem pensar em ir pra casa na hora do almoço, pois é nesse horário que mais vendemos", conta.

A taxa de desemprego no Brasil, medida pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) na Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios (Pnad), subiu para 11,8% no trimestre encerrado em agosto. Segundo a pesquisa, mais de 12 milhões estão desocupadas no País. Segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI), este ano encerrará com previsão pior que a traçada no início de 2016 e o Brasil deve fechar 2016 com 11,2% de desempregados.

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