terça-feira, 18 de setembro de 2018

A menos de 1 mês da eleição, voto nulo e branco é o mais forte em 16 anos


A artesã Soeli Aparecida Maia, 59, nunca anulou o voto, mas já decidiu que, em 2018, essa será a sua opção na urna. Mulher, com idade acima dos 45 anos, moradora do interior, Soeli está dentro do perfil dos eleitores onde o voto nulo é mais popular. E, nestas eleições, ele deve ser mais forte do que nas últimas quatro eleições.

A pouco menos de um mês das eleições, 13% dos eleitores se dizem dispostos a anular seu voto ou votar em branco para presidente, segundo pesquisa Datafolha divulgada na última sexta-feira (14). Dos que optam pelo voto nulo ou branco, 61% dizem que não mudarão de opinião.

O índice é bem superior ao encontrado em pesquisas Datafolha feitas cerca de um mês antes das eleições de 2014, 2010, 2006 e 2002 — era 6% em 2014 e 4% nas demais.

Se seguir o exemplo dos dois últimos pleitos, a parcela de quem não vai optar por nenhum candidato ainda pode ser mais expressiva nas urnas: em 2014, 9,6% dos eleitores de fato anularam ou votaram em branco. Em 2010, foram 7%.

O voto nulo e branco também só não perde em convicção, nas últimas pesquisas, para os votos declarados em Jair Bolsonaro (PSL) e em Fernando Haddad (PT). No levantamento divulgado na sexta, 75% e 72% diziam estar “totalmente decididos” a votar nesses candidatos, respectivamente.

Soeli é uma das eleitoras que se diz disposta a manter sua decisão de anular até o segundo turno. “Há várias eleições, a gente escolhe entre o ruim e o pior, por isso o Brasil está onde está. Agora resolvi dar um basta. Pelo menos da minha parte, não vou colocar nem o ruim e nem o pior lá”, afirma ela, que mora em Sonora, cidade de 15 mil habitantes no norte do Mato Grosso do Sul.

Para o diretor do Datafolha, Mauro Paulino, o alto índice de intenções de voto nulo ou branco —e de convicção— revela uma “manifestação de descontentamento dos eleitores, de não se sentirem contemplados pela oferta de candidatos e de partidos que está aí”.

“O que a gente tem até aqui mostra ser grande a probabilidade que a gente tenha uma taxa de brancos e nulos maior do que nas últimas eleições”, diz Paulino.

O cenário com alto índice de votos brancos e nulos favorece o candidato que está na liderança, já que diminui o universo dos votos válidos e, por consequência, o número de votos necessários para passar para o segundo turno ou para ser eleito em primeiro turno.



(Folha)

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