quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

Estado recebe investimento de R$ 770 mi em complexo eólico

CASA DOS VENTOS
Produção deve iniciar em junho deste ano, com capacidade para 130 MW. Expansão já é estudada para o futuro
    por Áquila Leite - Repórter


Parque eólico de Tianguá está com obras avançadas e terá um total de 77 aerogeradores
O diretor de projetos e novos negócios da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, garante que a empresa está focada em administrar e operar suas próprias usinas
Uma empresa cearense se tornou a detentora da maior venda já realizada no setor brasileiro de energia eólica. Trata-se da Casa dos Ventos, do empresário Mario Araripe, que anunciou a comercialização dos parques eólicos Ventos de Santa Brígida (PE) e Ventos do Araripe I (PI) para a operadora inglesa Cubico Sustainable Investments, em um negócio que atingiu R$ 2 bilhões. Com o caixa cheio, a empresa ganha fôlego para apostar em novos projetos e focar em equipamentos que já estão em construção, como o Complexo Eólico de Tianguá, no Ceará, que contará com um investimento total de R$ 770 milhões e terá capacidade para gerar 130 MW.
De acordo com o diretor de projetos e novos negócios da Casa dos Ventos, Lucas Araripe, a previsão é que o parque eólico de Tianguá, que terá um total de 77 aerogeradores, entre em operação ainda em junho deste ano. Segundo ele, o equipamento está com obras avançadas, com toda a parte de acesso concluída e a montagem das turbinas já iniciadas. "Em um primeiro momento, não pensamos em vender o parque de Tianguá, pois a empresa quer desenvolver a estratégia de também operar seus equipamentos por conta própria. Se surgir uma oportunidade, nós avaliaremos, mas a prioridade não é esta", argumenta.
Além do Complexo Eólico de Tianguá, a Casa dos Ventos também tem em construção, no momento, mais dois parque eólicos. Um deles fica no município de Caetés, em Pernambuco, e deve começar a operar em julho deste ano, com 127 aerogeradores e capacidade para 216 MW, enquanto o outro, o maior dos três, abrange as cidades de Simões (PI) e Araripina (PE), onde serão gerados 359 MW dos 156 aerogeradores que serão instalados no local. A previsão para o início das operações é abril de 2017.
"O Nordeste é o nosso maior foco, pois é a região que possui a melhor velocidade média e constância dos ventos, que também não mudam de direção, o que garante uma boa geração energética. Chegamos a prospectar áreas em Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e São Paulo, mas chegamos à conclusão de que é mais vantajoso permanecer aqui", diz o diretor da Casa dos Ventos, que, entre os estados nordestinos, só não está presente no Maranhão, Sergipe e Alagoas.
Novos projetosPara o futuro, a Casa dos Ventos já possui 15 GW em projetos eólicos em desenvolvimento no Brasil, com terrenos arrendados e licenças ambientais emitidas. Entre os planos há, inclusive, a ideia de ampliar o Complexo Eólico de Tianguá, instalando mais 60MW no local, o que faria o equipamento ter um investimento total de mais de R$ 1 bilhão, com capacidade para gerar 190 MW. "Os projetos estão sendo desenvolvidos para irem aos leilões, que continuaremos participando", conta Lucas Araripe.
O diretor também revela que, entre os novos projetos da empresa, há também o desejo de construir uma usina solar com capacidade para 120 MW em Tianguá, além de parques eólicos nos município de Salitre, que fica na região da Chapada do Araripe, Jaguaribe e Tauá. "Os projetos irão à leilão e, se vencerem, ampliarão de forma significante nossa atuação no Ceará", complementa Araripe.
Ainda conforme o diretor da Casa dos Ventos, a própria transação efetuada com a inglesa Cubico possibilita que a companhia se posicione de maneira privilegiada no setor, ficando mais sujeita a apostar em novos projetos. "Esse movimento amplia nossa capacidade de investimento, nos permitindo viabilizar projetos e aproveitar as oportunidades que surgirão em 2016", diz.
Evolução da empresaCriada em 2007 pelo cearense Mario Mamede, que também fundou a Construtora Colmeia e a fabricante de veículos Troller, a Casa dos Ventos, inicialmente, vencia os leilões de energia e vendia os direitos de construção para outros. Com o tempo, a empresa decidiu construir suas próprias usinas para negociar os ativos posteriormente. Agora, a ideia é dominar o próximo elo da cadeia, que é operar os projetos.
"Estamos muito focados em manter nossas usinas no longo prazo. Preparamos, inclusive, um centro de manutenção em Maracanaú, de onde vamos operar nossos equipamentos em todo o Nordeste. Queremos evoluir de forma gradativa, operando nossos parques. Isso não quer dizer que não venderemos mais nenhum equipamento", destaca Lucas Araripe.
Ele ressalta que a empresa quer dominar a expertise da operação e manutenção de parques, apostando. A Casa dos Ventos, aliás, vem investindo na compra de equipamentos e no treinamento de equipes. "Por mais que faça sentido em algum momento vender ativos, queremos ter uma quantidade representativa de ativos nossos gerando", frisa.

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