segunda-feira, 5 de outubro de 2015

Floresta do Araripe tem 100 hectares destruídos em 3 dias

Floresta do Araripe tem 100 hectares destruídos em 3 dias

Os incêndios têm se intensificado com a falta de chuvas
e pela suposta ação criminosa. Foto: Elizângela Santos
Aumentam os riscos de incêndios na área da Floresta Nacional do Araripe (Flona) e áreas de proteção. A intensidade da seca e dos ventos, além da vegetação totalmente desidratada, torna esses espaços altamente vulneráveis para o fogo se alastrar na mata. Em três dias, durante esta semana, mais de 100 hectares de vegetação nativa foram destruídos na floresta. Iniciado no último domingo, na localidade de Siriqueira, em Barbalha, o fogo se alastrou e foi controlado com a atuação da Brigada de Incêndio. Somente em setembro foram identificados cinco focos, o maior deles, na última semana. As suspeitas são de ato criminoso em praticamente todos os casos registrados.
De acordo com o coordenador da área temática de Prevenção e Combate a Incêndio da Flona, Vicente Alves Moreira, a área queimada corresponde a cinco campos oficiais de futebol. O fogo tomou proporções gigantescas, quando os brigadistas achavam que já estava totalmente controlado, mas somente no início da tarde da terça-feira, eles conseguiram debelar as chamas. Foram detectados na área dois focos de incêndio.
Avanço
A brigada permaneceu de prontidão com duas equipes no local, numa área da floresta extrema entre Barbalha e Crato, seguindo para o município de Jardim. O fogo surgiu em dois pontos, estando distante cerca de 800 metros. Mas os dois locais acabaram se tornando um, pelo avanço das chamas.
A seca dos últimos quatro anos não tem poupado a mata da Flona. E o risco aumenta com o surgimento de focos desde o mês passado. As ameaças de incêndio são constantes pela alta temperatura. No Crato, já foram detectados focos menores nas áreas do sítio Guaribas, além da localidade próxima à pedra da Coruja, onde há uma trilha bastante frequentada, e nas proximidades de Exu, em Pernambuco.
Para o analista ambiental da Flona e Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMbio), Gilmário Augostinho, as temperaturas na área estão muito altas. Ele afirma que jamais tinha vivenciado 33 graus em cima da serra e isso faz com que haja uma desidratação maior do combustível vegetal. “Qualquer fagulha pode tornar o fogo de grande magnitude e destruir grandes áreas da floresta”, alerta.
A revoada de andorinhas na área chamou a atenção do analista ambiental, no momento em que o fogo consumia a vegetação. Ele disse que podem estar em período de reprodução e até se admirou em ver tantos pássaros da espécie na área, já que houve uma redução nos últimos anos. A vegetação baixa e de médio porte do Cerrado, além de muito cipó e capim seco passam a ser quase um rastilho de pólvora no meio da floresta. Os brigadistas utilizam ferramentas como facões, foices, enxadas e pás para construir trincheiras na mata e minimizar a força das chamas avançando.
Técnicas
A utilização de uma bomba costal pelos profissionais da brigada, com 20 litros de água, ajuda bastante, mesmo com o sacrifício de carregar tantos equipamentos por longas distâncias, abrindo trilhas para chegar aos locais onde os incêndios acontecem. As técnicas e o conhecimento dos brigadistas da área da floresta são essenciais para conseguir controlar o fogo, em locais distantes, para a área de Flona de 39.333 hectares, onde não há como o Corpo de Bombeiros ter acesso.
Segundo o coordenador da área temática de Prevenção e Combate a Incêndio, Vicente Alves Moreira, caso não chova nos próximos 30 dias, a tendência é que os focos aumentem. Ele constata que quase 100 por cento dos incêndios são causados pela ação do homem, por negligência, imprudência ou mesmo dolo. “Esse, por exemplo, foi alguém que chegou ao local e ateou fogo, muitas vezes em represália a alguma punição que ele possa ter sofrido pelo órgão”, disse. A área está sendo observada por meio de uma torre de monitoramento no local.
O coordenador faz um apelo para que a população auxilie a preservar as áreas da Flona. “O patrimônio é de todos e temos que formar um elo e fazer com que o pessoal evite ações de risco, queima de lixo, provocar alguma ignição, acender velas em despachos, em cultos na floresta”, diz ele. Conforme Vicente Alves, é difícil identificar a pessoa que comete o crime contra a fauna e flora, muitas vezes, e tem que estar com provas concretas para puni-la. “A área da floresta é muito grande e quando se percebe, o fogo já está acontecendo”, ressalta.
(Diário do Nordeste)     

   

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