CARLOS ALBERTO ALBUQUERQUERESPONSÁVEL PELO BLOG CONEXÃO REGIONAL

CARLOS ALBERTO ALBUQUERQUERESPONSÁVEL PELO BLOG CONEXÃO REGIONAL

sexta-feira, 27 de setembro de 2024

Tiros, mortes, socos, cadeiradas: violência marca eleições municipais de 2024





Foto: Divulgação TSE

Foram 128 casos de violência contra lideranças políticas; é o dobro do registrado no primeiro trimestre do ano

Não é só no noticiário policial, nos debates políticos e nas redes sociais — a violência eleitoral está também nos números. Dados do boletim trimestral do Observatório da Violência Política e Eleitoral indicam que entre abril e junho deste ano foram registrados 128 casos de violência contra lideranças políticas. O que mostra um aumento de mais de 100% em relação ao trimestre anterior.

A região mais atingida foi o Sudeste, com 47 casos (36,7%). São Paulo é o estado mais violento: 21 casos, seguido por Bahia e Rio de Janeiro, ambos com 15 registros. A violência vem de todas as formas: insultos, ameaças, agressões físicas e homicídios — eles foram responsáveis por 25 episódios. O Rio de Janeiro se destaca neste cenário com seis casos.

O mais recente ocorreu no dia 25, na cidade de Nova Iguaçu, baixada fluminense. O candidato a vereador pelo Avante conhecido como Joãozinho Fernandes foi morto a tiros logo após fazer uma caminhada promovendo a candidatura pelas ruas da cidade.

Para o especialista em segurança e professor da FGV, Jean Menezes de Aguiar, o que estamos vendo hoje na política é um reflexo da sociedade violenta que temos no Brasil.

“São 60 mil homicídios por ano. É escandaloso, mas isso foi normalizado, em certa medida”, avalia o professor que destaca um outro ponto.

“A entrada do crime organizado na política, em que políticos possam obter com mais facilidade essas vinganças e esses crimes. Poderia ser esta uma das explicações. Só se fala em PCC nos debates de São Paulo, o que mostra que ele [PCC] virou um ator coadjuvante nessa história.”
Acirramento da polarização

O especialista ainda levanta uma outra característica da sociedade que vem tomando corpo há algumas eleições: o acirramento da agressividade e das emoções exageradas que acabam resultando em violência física.

Menezes usa o exemplo do candidato à prefeitura de São Paulo José Luiz Datena para explicar um ponto que está previsto no direito penal.

“Essa emoção com violência está prevista como total atenuante no processo penal. Por isso que não deverá acontecer nada com o Datena.” Relembrando o episódio em que, durante um debate na televisão, o candidato Pablo Marçal (PRTB-SP) recebeu uma cadeirada de Datena após inúmeras provocações que fez ao oponente.

Polarização que para Menezes tem como consequência mais visibilidade para os envolvidos, já que gera conteúdos que repercutem e “vendem” nas redes sociais.
Reforço na segurança

Uma das medidas para tentar conter a violência no dia das eleições foi tomada esta semana pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE). A Força Federal será enviada a 12 estados, a pedido dos TREs dessas localidades. São eles:Acre
Amazonas
Ceará
Mato Grosso
Mato Grosso do Sul
Pará
Paraíba
Piauí
Rio de Janeiro
Rio Grande do Norte
Maranhão
Tocantins

A ministra Cármen Lúcia, presidente do TSE, explicou que o auxílio deve ajudar a garantir que o processo eleitoral transcorra de forma ordeira e tranquila. Ela ainda destacou que os pedidos de apoio da Força Federal feitos pelos estados são procedimentos normais para garantir o livre exercício do voto e a normalidade da votação e da apuração dos resultados.
#Eleições#Política#Segurança Pública

ELEIÇÕES 2024: Direita prevalece entre eleitores que declaram posicionamento político





Foto: Fernando Frazão/Agência Brasil

Ainda de acordo com pesquisa, 40% dos eleitores do país afirmam que não se identificam com direita, esquerda e nem centro

A preferência por um posicionamento político mais à direita prevalece entre os eleitores brasileiros que se identificam com alguma ala política. É o que revela o Panorama Político 2024 – uma pesquisa feita pelo DataSenado em parceria com a Nexus, área de Pesquisa e Inteligência de Dados da FSB Holding.

De acordo com o levantamento, 29% dos entrevistados dizem que se identificam com a direita. Já 15% se denominam de esquerda, enquanto 11% dizem ser de centro. Os três grupos somam 55%.

Por outro lado, 40% dos eleitores do país afirmam que não se identificam com nenhum posicionamento político, enquanto 6% disseram que não sabem ou não quiseram responder.

Na avaliação do analista do DataSenado, José Henrique Varanda, os dados gerais da pesquisa apontam que, em uma análise mais ampla, o Brasil não conta com uma polarização entre os posicionamentos políticos mais comuns.

“Uma parte relevante da população ou não é tão politizada ou não enxerga exatamente essas ‘caixinhas’ que se fala mais – de direta, esquerda ou centro. Talvez tenham um vínculo mais direto com os próprios políticos ou com alguns partidos. Se ainda colocarmos as pessoas de centro como um pouco menos polarizadas e incluir nesse bojo do mais agnósticos, juntando com as que não souberam ou preferiram não responder, chegamos ao patamar de 57% da população”, considera.
Cenário por religião

A pesquisa também mostra o cenário entre algumas religiões. Entre os evangélicos, por exemplo, 35% se consideram de direita, 9% de centro e 8% de esquerda.

Já entre os católicos, 28% dizem ser de direita. Para 15%, o posicionamento é de esquerda. Outros 10% afirmam ser de centro.

Já no grupo “outras/sem religião”, tanto direita quanto esquerda alcançam 21%, seguidas por 13% de centro.
Homem e mulheres

Ainda de acordo com o levantamento, entre as mulheres a taxa que não se identifica com nenhuma ideologia política alcança 46%, frente a 34% em relação aos homens.

Quanto aos eleitores do sexo masculino, 34% se consideram de direita, enquanto a taxa entre as mulheres é de 24%.

É fake: comprovante de votação não serve como prova de vida

Eleições: senadora sugere que TSE divulgue seções eleitorais com acessibilidade

Eleições 2024: Qual é a função e o salário do vereador?
Renda e escolaridade

A falta de preferência por algum posicionamento político é mais comum entre os eleitores com renda de até dois salários mínimos, que corresponde a 47% dos entrevistados. Essa taxa reduz gradativamente até chegar a 21% no grupo com renda acima de seis salários mínimos.

Já em relação a todas as faixas, a direita se sobressai tanto em relação ao centro quanto à esquerda, com apoio de 25% entre os mais pobres e 37% entre os mais ricos.

Segundo José Henrique Varanda, trata-se de uma questão que também é impactada pelo nível de escolaridade dos eleitores.

“Tanto que, num maior nível de escolaridade, que são aquelas pessoas com nível superior incompleto, ou além disso, apenas 28% não consideram nenhum dos três polos políticos mais demarcados. Já em relação àquelas pessoas que tem até o ensino fundamental incompleto, 45% se dizem não se interessar por política ou não se enquadrar em nenhum dos três polos”, afirma.

A pesquisa foi feita entre os dias 5 e 28 de junho, de 2024. Ao todo, o levantamento ouviu 21.808 brasileiros de todas as unidades da federação. O nível de confiança é de 95% e a margem de erro é de 1,22 ponto porcentual.

para riscos da elevação do nível do mar; veja


Relatório da ONU faz alerta para graves prejuízos às cidades que têm a economia baseada em atividades costeiras, além de chamar atenção para o aumento de eventos extremos


Por Milena Félix


A Organização das Nações Unidas (ONU) divulgou nesta semana um relatório de alerta sobre a elevação dos níveis do mar, representando graves perigos para diversas regiões do planeta. Entre as áreas vulneráveis, o relatório cita duas cidades brasileiras, ambas no Estado do Rio: a capital e Atafona, distrito do município de São João da Barra, no litoral norte fluminense.

Capital fluminense está na lista de cidades mais vulneráveis aos efeitos da elevação do nível do mar Foto: Pedro Kirilos/Estadão - 1/1/2023


Ambas as cidades brasileiras já alcançaram 13 centímetros a mais no nível do mar de 1990 a 2020, e a previsão é que atinjam a média de 16 cm de 2020 até 2050, podendo variar entre 12 e 21 cm. A lista leva em consideração localidades dos países do G20.

Em coletiva de imprensa, o secretário-geral da ONU, António Guterres, pediu que os líderes globais aumentem significativamente os esforços para diminuir o aquecimento do planeta.

De acordo com o relatório, entre 1993 e 2023, o aumento médio do nível do mar foi de 9,4 centímetros, sendo o maior nível observado até hoje.
Desde o começo do século XX, o nível do mar tem subido de maneira sem precedentes em 3 mil anos. Conforme dados da Organização Meteorológica Mundial (WMO), o aumento no nível de água do mar passou de 0,21 centímetros por ano entre 1993 e 2002 para 0,48 centímetros por ano entre 2014 e 2023, ou seja, mais do que dobrou.

A situação pode piorar ainda mais. O novo relatório prevê que, a depender do nível de aquecimento a que o planeta chegar nos próximos anos, os oceanos podem subir em patamares muito perigosos.

Ainda que a humanidade atinja emissão zero de gases do efeito estufa a partir de agora, a temperatura dos oceanos vai subir em decorrência das emissões do passado. De acordo com o relatório mais recente do Painel do Clima da ONU (IPCC), as emissões feitas até 2016 já são suficientes para elevar o nível dos mares em 0,7 a 1,1 metro até 2030.
Considerando o cenário mínimo de aquecimento de 1,4ºC até o final do século, o aumento médio do nível do mar projetado é de 18 centímetros até 2050, e de 38 centímetros até 2100.
No pior cenário, em que o planeta aquece 4,4ºC até o final do século, é esperado que as águas oceânicas subam em média 23 cm até 2050, e 77 cm até 2100.




Mapa mostra pontos do planeta onde os níveis do mar mais têm crescido entre 1993 e 2023. As cores mais quentes (amarelo e vermelho) mostram maior grau de elevação Foto: Divulgação/Relatório ONU

Causas

Guterres afirma que a causa do aumento do nível de água dos oceanos é diretamente a ação humana. “A razão é clara: gases de efeito estufa, gerados predominantemente pela queima de combustíveis fósseis, estão cozinhando nosso planeta. E o mar está levando (absorvendo) o calor – literalmente”, afirmou o líder global.

Os oceanos absorveram 90% do excesso de calor do planeta desde 1970, o relatório pontua. Além disso, um dos principais fatores responsáveis pelo aumento do nível de água dos oceanos é o derretimento das geleiras.

Entre 2006 e 2018, o derretimento de gelo foi responsável por 45% do aumento do nível de água do mar. Todos os sete piores anos para perda de gelo na Terra foram na última década.

Iceberg nas imediações da Ilha Rei George, no continente antártico Foto: Clayton de Souza/Estadão - 22/2/2019

Considerando um aumento da temperatura do planeta em 2ºC, é esperado que quase toda a Groenlândia e a maior parte do oeste da Antártida derretam completamente. “O aumento dos mares é uma crise inteiramente causada pela humanidade. O mundo precisa agir, e responder ao SOS antes que seja tarde demais”, completa o secretário-geral da ONU.

Ilhas do pacífico: locais mais vulneráveis


Entre os danos que o aumento do nível dos oceanos pode causar estão o comprometimento da habitabilidade perto da costa, prejuízo de atividades econômicas que dependem do mar, aumento de tempestades, marés, ondas e inundações.

De acordo com o Programa de Desenvolvimento das Nações Unidas (UNDP) e com o Laboratório de Impactos do Clima (CIL), nos últimos 20 anos, 14 milhões de pessoas passaram a estar em áreas com risco de inundação por causa do aumento do nível do mar.

Apesar da elevação do nível médio dos oceanos afetar o planeta como um todo, o relatório chama atenção para a maior vulnerabilidade dos locais próximos da costa, especialmente os que dependem do mar para sua economia.


As pequenas ilhas do pacífico são apontadas como as que mais estão em perigo, uma vez que a maioria delas está em uma região onde o aumento do nível dos oceanos está projetado para ser entre 10% e 30% maior que a média global. Nessas ilhas, 90% das pessoas vivem a 5 km da costa, e a maioria das ilhas têm 50% de sua infraestrutura a 500 metros da costa.

Segundo um estudo do Centro de Ciência da União Europeia, os custos para as pequenas ilhas do pacífico de inundações já foram cerca de 1.64 bilhões de dólares em 2020.


De acordo com o relatório da ONU, muitas pessoas das ilhas do pacífico, onde vivem no total 70 milhões de pessoas, já estão vivenciando perdas de vidas humanas e impactos econômicos severos, principalmente por causa dos ciclones e aumento do nível do mar.

Outros locais vulneráveis

Além das pequenas ilhas do pacífico, outros locais do mundo são apontados pela ONU como vulneráveis à elevação das águas dos oceanos. Países do G20 foram analisados no cenário de 3ºC de aquecimento global até 2050, o que é considerado provável com as emissões atuais de gases do efeito estufa. O relatório destaca que 1 bilhão de pessoas no mundo vivem em regiões costeiras, e estão sob maior risco.

Cidades do G20 ao longo do mundo são potenciais afetadas, com a maioria alcançando mais de 15 cm de aumento do nível do mar até 2050. As cidades em que a água pode subir mais (entre 24 e 41 cm) são Atlantic City (EUA), Boston (EUA), Nova Orleans (EUA), Nova York (EUA), Osaka (Japão) e Shanghai (China).

O relatório chama atenção ainda para o fato de que as demais regiões do mundo também serão afetadas com a elevação das águas dos oceanos, mesmo que não estejam na costa. É esperada uma maior migração de pessoas da região costeira para o interior dos países, grandes impactos em atividades econômicas como a pesca, e prejuízos aos portos, o que pode comprometer a cadeia de suprimentos do mundo todo.

Urgência de ações

Diante do cenário urgente, o relatório afirma que “profundos, rápidos, e sustentáveis cortes na emissão de gases do efeito estufa precisam ser feitos AGORA para ficar dentro de uma trajetória de aquecimento de longo prazo de 1,5°C”. Isso significa, de acordo com Guterres, “reduzir as emissões globais em 43% em comparação com os níveis de 2019 até 2030, e 60% até 2035″.


Para isso, o líder global pediu que os governos apresentem novos planos nacionais para mitigar as mudanças climáticas, e que o uso de combustíveis fósseis seja reduzido a zero.

Como principais responsáveis, o líder chama atenção dos países que formam o G20. Além disso, visando a justiça climática, ele solicitou contribuições significativas para o Fundo de Perdas e Danos, que visa apoiar países que sofrem com impactos graves das mudanças ambientais. “E o mundo deve aumentar massivamente o financiamento e o suporte para países vulneráveis”, afirma ele.

Bets: Fux convoca audiência pública no STF para discutir lei das apostas


Sessão no Supremo Tribunal Federal é consequência da ação proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) para revogar a ‘Lei das Bets’

Por Lavínia Kaucz (Broadcast)


saiba mais

BRASÍLIA - O ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), convocou audiência pública para o dia 11 de novembro para discutir a lei que regulamenta as apostas esportivas online, conhecidas como “bets”. A audiência será realizada no âmbito de ação proposta pela Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC) que pede a declaração de inconstitucionalidade da “Lei das Bets”, sancionada no final do ano passado.


“Diante da complexidade e da natureza interdisciplinar do tema, que envolve aspectos de neurociência, econômicos e sociais, considera-se valiosa e necessária a realização de audiência pública na presente ação direta, de sorte que esta Corte possa ser municiada de informações imprescindíveis para o deslinde do feito”, afirmou Fux no despacho, publicado nesta quinta-feira, 26.

Fux convidou a participar da audiência os presidentes do Banco Central, Roberto Campos Neto, do Senado, Rodrigo Pacheco (PSD-MG) e da Câmara, Arthur Lira (PP-AL), além do ministro da Fazenda, Fernando Haddad, e outras autoridades.



Luiz Fux, ministro do STF, convidou representantes de vários órgãos da República para a audiência Foto: Andressa Anholete / STF

A CNC pediu a suspensão imediata da lei sob o argumento de que “está causando graves impactos sociais e econômicos”. Fux, contudo, decidiu não analisar o pedido de liminar e remeteu o caso para julgamento no plenário. Ele abriu prazo de cinco dias para autoridades prestarem informações. Depois a Advocacia-Geral da União (AGU) e a Procuradoria-Geral da República terão cinco dias para se manifestar.

Especialistas, entidades reguladoras, órgãos governamentais e representantes da sociedade civil podem se inscrever para participar da audiência até as 19h de 18 de outubro. Os requerimentos devem ser encaminhados para o endereço de e-mail adi7721@stf.jus.br.

Leia também

Entidade pede ao STF suspensão da ‘Lei das Bets’ por ‘graves impactos sociais e econômicos’



Cresce número de brasileiros que pegam empréstimos para fazer apostas online, mostra pesquisa



Fazenda terá controle para impedir apostas com cartão e vai monitorar CPFs, diz Haddad


A CNC ingressou com uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) no STF na terça, 24, pedindo o fim da operação dos cassinos online no País. No mesmo dia, a CNC também encaminhou um ofício ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, em que manifesta “grande preocupação com o crescimento descontrolado” das apostas online no Brasil, em especial dos cassinos virtuais. O documento foi entregue ainda aos ministérios da Fazenda, da Justiça e do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, além dos presidentes do Senado e da Câmara dos Deputados.


Na ação no STF, a CNC argumenta que “a disseminação desenfreada das apostas online estaria criando um ciclo de dependência, principalmente entre os mais vulneráveis, o que tem levado à redução do consumo de bens essenciais e afetado diretamente o comércio”.

A CNC divulgou na última sexta-feira, 20, um estudo mostrando que mais de 1,3 milhão de brasileiros teriam ficado inadimplentes no primeiro semestre de 2024 devido a apostas em cassinos online. A entidade afirma que os apostadores têm usado “sem controle” cartão de crédito nessas plataformas de jogos, o que contribui para um aumento das contas em atraso.

Pesquisadores elaboram manifesto contra retorno do horário de verão


Adaptação a um novo “horário social” pode causar confusão nos ritmos biológicos e favorecer problemas de saúde, apontam especialistas


Por Victória Ribeiro

Em meio às discussões sobre o possível retorno do horário de verão no Brasil, 26 cientistas da área de cronobiologia — ciência responsável por estudar os ritmos e os fenômenos biológicos — assinaram um manifesto contra a medida.

Historicamente, a mudança nos relógios foi justificada como uma forma de economizar energia, buscando alinhar as atividades do dia a dia às horas de luz natural. No entanto, os pesquisadores sugerem que os malefícios à saúde podem superar os benefícios econômicos esperados.

Ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão, afirmam especialistas Foto: Laima Gri/Adobe Stock


Conforme explicação dos estudiosos da cronobiologia, os ritmos biológicos humanos estão profundamente conectados ao ciclo natural de luz e escuridão, regulando de forma automática funções essenciais como sono, apetite e até mesmo o humor.

A introdução do horário de verão, porém, tornaria essa sincronização confusa, forçando o organismo a se reajustar a um novo “horário social”. Para muitos, essa adaptação pode ser desafiadora e resultar em problemas de saúde.


“Esse processo de adaptação nem sempre é fácil. Enquanto algumas pessoas conseguem se ajustar, outras permanecem fora de sintonia, o que pode gerar sérios problemas de saúde”, diz trecho do documento assinado por pesquisadores de diferentes instituições, incluindo Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz) e Universidade de São Paulo (USP).

Entre os efeitos negativos do horário de verão, os cientistas listam distúrbios do sono, aumento de eventos cardiovasculares adversos, transtornos mentais e cognitivos, e crescimento no número de acidentes de trânsito nos primeiros dias após a mudança.


No manifesto, os estudiosos mencionam um estudo realizado em 2017 pela Universidade Federal do Rio Grande do Norte (UFRN) que abordou a forma como lidamos com a transição de horário.


A pesquisa, baseada em questionários online, analisou as respostas de mais de 1.200 participantes sobre seus horários habituais de dormir e acordar, perguntando também sobre a chegada do horário de verão. A conclusão: mais de 50% dos entrevistados relataram passar por algum tipo de desconforto até o relógio voltar ao normal.

Leia também

Vai ter horário de verão em 2024? Veja o que dizem ONS, Comitê e o ministro Alexandre Silveira



Ansiedade na hora de dormir? Tente essas 4 medidas para acalmar a mente e adormecer


Os pesquisadores destacam que a posição expressa no manifesto é baseada unicamente em evidências científicas, independentemente de inclinações políticas, defendendo que para preservar a saúde e o bem-estar, o ideal é manter a alteração nos horários fora dos planos.

“Isso evitaria os efeitos negativos promovidos pela mudança de horário e promoveria um maior alinhamento entre os nossos ritmos biológicos e os horários social e ambiental, contribuindo para uma sociedade mais saudável”, defendem.

Exercícios abdominais não diminuem a barriga – mas você deve fazê-los mesmo assim


Mesmo que focada em uma parte do corpo, a atividade física ajuda na perda de gordura geral; de qualquer maneira, o abdômen tem funções essenciais e precisa ser fortalecido


Por Beatriz Bulhões


Fazer abdominais pode ajudar a deixar a barriga “trincada”, mas não vai eliminar gordura da região. Parece contraditório, porém o motivo é simples: exercitar um local faz com que os músculos se fortaleçam, mas a perda do excesso de gordura precisa acontecer no corpo todo.



“A queima de gordura através da atividade física ocorre de maneira global, ou seja, não é possível mobilizar o metabolismo para determinada região do corpo”, resume José Carlos Farah, professor de educação física da Universidade de São Paulo (USP) e especialista em fisiologia do exercício.

Nessa mesma linha, malhar o braço também não eliminará gordura só ali, assim como treinar as pernas não vai reduzir as medidas desses membros. O que todos esses exercícios fazem é fortalecer a musculatura e auxiliar na queima de gordura do corpo como um todo.

Fazer abdominais não elimina gordura especificamente do abdômen, mas auxilia no fortalecimento muscular da região. Foto: Pixel-Shot/Adobe Stock


Vale ressaltar que a gordura é uma reserva de energia do corpo – e é a última coisa a ser mobilizada.

Sérgio Cunha, professor da Faculdade de Educação Física da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), explica que, para executarmos as funções básicas do dia a dia, usamos como fonte primordial de energia a glicose já disponível no organismo, proveniente daquilo que comemos. Para atividades mais intensas, utilizamos o glicogênio muscular – moléculas de glicose estocadas nos músculos – e só depois disso é que o corpo passa a quebrar a gordura, transformando-a em glicose (e mais energia).

“Se você não se alimentar bem, a gordura vai continuar lá, mesmo que você esteja fortalecendo os músculos. Você ficará mais saudável do ponto de vista da musculatura, mas não em relação à gordura corporal”, explica.


Cunha ressalta que o músculo é mais pesado do que a gordura. Por isso, quando a pessoa passa a ter um estilo de vida saudável, incluindo a prática de exercícios de força (que ajudam na formação dos músculos), é comum não perceber uma queda nos ponteiros da balança – já que está trocando gordura por massa magra.

Em coluna do Estadão, a nutricionista Desire Coelho inclusive explica por que a balança não é o melhor instrumento para monitorar o corpo e a saúde.

Leia também

Exercício à noite atrapalha o sono? Estudo aponta que não é bem assim



Não é só fortalecer o corpo: ficar ‘em forma’ com o avançar da idade depende de outros 4 hábitos



Uso de substâncias anabolizantes, como testosterona, é seguro com indicação médica? Não é bem por aí


Como queimar a gordura?

Um dos fatores mais importantes é cuidar da dieta, priorizando alimentos in natura e minimamente processados. É fundamental moderar principalmente o consumo de itens ricos em gorduras saturadas e açúcar, dois ingredientes que costumam aparecer em excesso nos produtos ultraprocessados.

Outra dica dos especialistas é fazer atividades aeróbicas, de preferência as mais longas, para que o corpo tenha tempo de quebrar toda a glicose disponível e, daí, começar a buscar a gordura estocada no corpo.

Em paralelo, o fortalecimento da musculatura é essencial, seja com musculação, calistenia (exercícios que usam o peso do próprio corpo) e, claro, abdominais.

Afinal, por que fazer abdominais?


Em primeiro lugar, esse tipo de atividade ajudará no processo de gasto energético do corpo inteiro. Mas esse não é o principal motivo para focar no abdômen: segundo Farah, essa musculatura tem funções cruciais, como dar sustentação aos órgãos internos.

“Uma segunda função importantíssima é a de se contrapor à musculatura lombar, o que ajuda na manutenção da postura e no alinhamento da coluna vertebral. São músculos antagonistas e que equilibram as forças, mantendo a saúde da coluna vertebral”, descreve.

Na prática, fortalecer a região abdominal previne doenças como hérnia de disco e outros problemas lombares.

quinta-feira, 26 de setembro de 2024

Setembro Amarelo e o amparo assistencial



Escrito por Simone Lima 

Legenda: Simone Lima é advogada




Durante o Setembro Amarelo, mês dedicado à prevenção do suicídio e à valorização da vida, toda a sociedade debate sobre as doenças mentais que tanto afetam o cotidiano das pessoas.


Dados do Ministério da Previdência Social mostram que os transtornos psiquiátricos e comportamentais são a terceira principal causa de incapacidade para o trabalho no Brasil.

Cidadãos nesta condição não conseguem desempenhar suas atividades laborais e se encontram em situação de vulnerabilidade à medida que precisam de recursos para custear tratamento médico e terapia especializada.

Os direitos previdenciários e assistenciais surgem neste sentido para assegurar o mínimo de dignidade e amparo a quem se encontra nestas circunstâncias.

Dentre as formas de proteção estão o Auxílio por Incapacidade Temporária, garantido quando o trabalhador está incapaz de exercer sua atividade habitual por mais de 15 dias consecutivos; a Aposentadoria por Incapacidade Permanente, concedida quando essa incapacidade é total e sem possibilidade de reabilitação; e o Benefício da Prestação Continuada (BPC), concedido a pessoas de baixa renda.

Além de tais medidas, a legislação permite que, em casos de alienação mental grave, o segurado tenha direito ao benefício mesmo sem o cumprimento do número mínimo de contribuições exigido normalmente, a partir de uma isenção de carência.

Para conseguir tais recursos, nem sempre é fácil. Muitos segurados enfrentam dificuldades nesse processo, sobretudo, pelo despreparo dos peritos do INSS em lidar com doenças psiquiátricas.

O segurado deve lembrar que, se o benefício for negado, ele pode buscar seus direitos na Justiça. E, nos casos de internação hospitalar, por exemplo, é possível solicitar a perícia diretamente no hospital, tanto a administrativa como a judicial.

A conscientização sobre esses direitos é fundamental, pois muitas pessoas desconhecem as proteções que a Previdência Social oferece. Cuidar da saúde mental é uma garantia de todos e a informação é o primeiro passo para garantir esse cuidado.


Simone Lima é advogada

Nove em cada dez brasileiros querem mais mulheres na política

Pesquisa mostra que população quer mais candidatas na próxima eleição Joana Côrtes – Repórter da Rádio Nacional 20/03/2025 - 20:59 São Paul...