terça-feira, 06 de fevereiro 2024
Uma das doenças mais terríveis que assusta a todos é o câncer, visto que ele não escolhe idade e nem gênero. Conforme o Instituto Nacional do Câncer (INCA), casos entre pacientes com menos de 35 anos têm crescido e atualmente, no Brasil, a porcentagem é de 5%. Ainda segundo o Instituto, recentes pesquisas mostram que, de 2023 a 2025, serão mais 73 mil novos casos de câncer de mama, entre os quais, aproximadamente, 11 mil mulheres consideradas jovens.

Fazendo parte desta estatística, a enfermeira Bruna Nogueira (31) viu sua vida mudar completamente quando, em 2021, no auge da pandemia, ela foi diagnosticada com o câncer de mama invasivo–triplo negativo. “Receber o diagnóstico de câncer aos 28 anos, com uma filha de apenas 1 ano. Foi um abalo inexplicável. O medo tomou conta do meu psicológico. O que seria de mim a partir daquele momento? Será que conseguirei ver minha filha crescer? Muitos foram os pensamentos desesperadores”, relata a enfermeira.
De acordo com Bruna, tudo começou durante o banho, quando ao realizar o toque nas mamas, como de costume, notou algo diferente, um nódulo próximo à axila direita. Logo em seguida, iniciou-se a procura por um oncologista, foi um pouco difícil conseguir uma vaga, devido à demanda, mas ao conseguir, não se sentiu segura com a resposta do médico e decidiu ouvir a opinião de um segundo especialista, dessa vez um mastologista.
“Não fiquei muito segura com a primeira consulta, busquei uma segunda opinião médica, agora com um mastologista. Ele, como excelente profissional e ser humano, pegou a minha causa e quis descobrir o que seria aquele nódulo. Solicitou a biópsia anatomopatológica. Com 2 dias após a coleta do material, fui pega de surpresa ao receber uma ligação do laboratório, onde eles informaram que seria necessário outro tipo de biópsia mais precisa para fechar o diagnóstico. Passados 15 dias, fui ao retorno para receber o resultado das biópsias. Foi quando fui surpreendida com o diagnóstico “câncer de mama invasivo–triplo negativo”, relembra a jovem.
A partir de então, sua luta começou. Todo o seu tratamento foi realizado no Centro Regional Integrado de Oncologia (CRIO), em Fortaleza. Foi uma fase bem delicada. Bruna reside em Araticum, distrito que pertence à cidade de Ubajara. Ela tinha que percorrer cerca de 296 km, uma viagem realizada durante a madrugada até a capital para o tratamento.
Ao todo, foram 6 meses de quimioterapia com uma boa resposta à medicação e o nódulo regrediu surpreendentemente. Logo após, ela realizou cirurgia sem retirada total da mama, apenas o quadrante onde se encontrava o nódulo, em seguida iniciou 2 meses de radioterapia. Atualmente, Bruna está em acompanhamento trimestral e tudo está correndo bem.
Câncer de mama
triplo-negativo
Esse tipo de câncer corresponde a 15% dos casos e costuma ter maior incidência em pacientes com menos de 40 anos e, em mulheres que possuem mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2. Ele não expressa receptores de estrogênio e progesterona e produz em excesso o Her2 (proteína que quando produzida de maneira normal, tem o papel importante no crescimento e desenvolvimento de várias células epiteliais. Explica o médico oncologista, Dr. Daniel Gimenes.
“O câncer de mama é mais agressivo em mulheres jovens por conta da maior incidência de doença triplo negativo e HER do que nas pacientes com idade mais avançada”, explica o médico.
O triplo-negativo difere de outros tipos de cânceres de mama invasivo e é considerado mais agressivo, pois as células cancerígenas crescem e se espalham rapidamente, tendo opções mais limitadas de tratamento e maior chance de reincidência após o tratamento.
Tratamentos
Como o câncer de mama triplo-negativo espalha-se rapidamente, a cirurgia de quadrantectomia ou mastectomia tende a ser uma opção já nos primeiros estágios da doença para evitar que mais células do corpo sejam atingidas. Em muitos casos, iniciar pela quimioterapia ajuda na escolha da cirurgia.
Porém, existem muitos fatores a serem considerados na hora da decisão do tratamento, principalmente o de idade quando o diagnóstico é em pacientes jovens, considerando que podem gerar sequelas, pois alguns tipos de quimioterapia podem comprometer a fertilidade, principalmente em mulheres que ainda não tiveram filhos.
“Idade é um fator de risco que a gente coloca dentro de uma avaliação mais ampla para tomada de decisão em determinados tipos de câncer de mama, mas uma paciente com câncer de mama triplo-negativo se ela tem 65 anos ou 35 anos o esquema de tratamento com quimioterapia mais imunoterapia se isso for feito antes da cirurgia em um cenário neoadjuvante vai ser o mesmo com exceção de uma medicação chamada ‘Zoladex” que ajuda a reduzir o risco de uma falência ovariana prematura após a quimioterapia, então diminui o risco da paciente entrar em menopausa de forma mais precoce após o término da quimioterapia”, é o que explica a oncologista da Oncoclínica, Dra Luciana Landeiro.
Sintomas e
diagnóstico precoce
A Sociedade Brasileira de Mastologia recomenda o exame anual a partir dos 40 anos. Mas para um diagnóstico precoce, o autoexame é o mais indicado, ele deve ser um hábito do dia a dia da mulher, pois a partir da palpação das mamas ela consegue observar se existe algo estranho, tendo em vista que nem todas apresentam sintomas, a depender do tipo de câncer. “As alterações mamárias podem ser encontradas no autoexame, realizado pela mulher assintomática”, explica o médico mastologista, Dr. Fernando Melo.
O ginecologista também desempenha um papel fundamental na luta contra o câncer de mama e no diagnóstico precoce porque na consulta e exame rotina o autoexame, pode perceber algo e solicitar exames complementares, identificando logo no início lesões pré-cancerígenas e encaminhar para tratamento adequado.
“Nós ginecologistas atuamos na prevenção da doença, no diagnóstico precoce assim como no tratamento e seguimento dessa paciente e juntamente com os mastologistas recomendamos o autoexame, alimentação equilibrada, hábitos saudáveis, atividades físicas, cessação do tabagismo e agendamento anual com a médica para avaliação mamária e ginecológica”, ressalta a médica ginecologista e obstetra, Dra. Renata Bezerra.
A médica ainda ressalta a importância de que a visita ao ginecologista comece cedo, a partir dos primeiros sinais da puberdade, para que um vínculo entre paciente e profissional seja criado.
“A melhor idade para a primeira consulta é, possivelmente, logo que alguns sinais da puberdade começam a despontar por volta de 8 ou 9 anos. Esse primeiro contato é importante para avaliar o crescimento e o desenvolvimento adequado da menina e, mais que isso, iniciar um vínculo de confiança com a médica que poderá acompanhá-la por toda uma vida”, finaliza a Dra Renata.
Rede de apoio
A identificação de uma doença desse tipo causa grandes impactos no estado emocional das pessoas. Embora o diagnóstico abale bastante o psicológico, é preciso fornecer o máximo de apoio emocional possível, começando pela família, ter uma rede de apoio é fundamental. É o que explica o psicólogo Jardan Chandley.
“Ter uma rede de apoio nesse processo é essencial, por isso a família é tão importante desde o processo pré-diagnóstico, no pós-diagnóstico e durante o tratamento, pois serão os que estarão mais próximos e poderão fornecer o apoio necessário. A depender do caso, fazer com que a pessoa note que ela continua conseguindo ter uma normalidade no seu dia”, destaca o psicólogo.
Autoestima recuperada
Quando uma pessoa passa por um tratamento oncológico apresenta autoestima baixa, pois a quimioterapia afeta negativamente o estado psicológico da pessoa devido seus efeitos adversos, como queda de cabelo, ressecamentos na pele dentre outros.
Pensando nisso, o presidente da Associação dos Cabeleireiros do Estado do Ceará (ACEC), Gurgel do Amaral, desde 2022, vem abraçando a causa em prol de pacientes em tratamento de câncer no Ceará e, numa parceria com a ONG Casa Rosa Beleza do Bem, com sede em São Paulo, ao longo do ano passado já realizou a doação de 700 perucas.
“No caso das mulheres em tratamento de câncer, é muito gratificante ver o sorriso delas, quando recebem a peruca e se olham no espelho. Aqui, elas escolhem o modelo e o corte sempre que desejarem”, conta Gurgel.
A auxiliar administrativa Patrícia Lima Neves (40), foi uma das beneficiadas com a ação. Lutando com a Leucemia Miológica Crônica há 10 anos, já passou por vários tratamentos de quimioterapia. Em julho de 2023, conheceu a associação por meio de uma amiga. “Minha amiga me viu carequinha e viu a minha preocupação porque a minha afilhada, ao me ver careca, sentiu medo. Ela me comunicou que a associação doava. A peruca me ajudou muito em relação à minha autoestima”, conta a auxiliar administrativa.
Fatores de risco
Não é possível afirmar uma causa específica para o câncer de mama, principalmente em casos de mulheres jovens, abaixo dos 35 anos, por ser uma doença de múltiplos fatores:Ser mulher – é mais frequente em mulheres, porém homens também pode ter;
Má alimentação;
Idade – é mais comum após os 50 anos;
Histórico familiar;
Histórico pessoal – genética;
Obesidade;
Menstruação antes dos 12 anos;
Menopausa tardia, após 55 anos;
Gravidez tardia, após os 35 anos ou nunca ter engravidado;
Uso de bebidas alcoólicas e cigarro;
Mamas com alta densidade
Uso de terapia hormonal na menopausa.
Por Dalila Lima
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