CARLOS ALBERTO ALBUQUERQUERESPONSÁVEL PELO BLOG CONEXÃO REGIONAL

CARLOS ALBERTO ALBUQUERQUERESPONSÁVEL PELO BLOG CONEXÃO REGIONAL

sexta-feira, 1 de novembro de 2024

Cerca de 77 mil brasileiras aguardam mamografia pelo SUS; No Ceará, mais de 2,2 mil esperam para fazer o exame





Em junho deste ano, 77.243 brasileiras aguardavam por uma mamografia no Sistema Único de Saúde (SUS). Santa Catarina é o estado com mais mulheres na fila de espera, cerca de 17 mil. Em seguida, aparecem São Paulo (15 mil) e Rio de Janeiro (12,5 mil). Juntos, os três estados somam 56% do total de pacientes à espera do principal exame para detecção do câncer de mama. Os dados foram divulgados nesta quinta-feira (31) pelo Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR).


No Ceará, 2.208 mulheres esperam na fila, além disso o tempo médio de espera é de cerca de 17 dias. Segundo a entidade, em alguns locais do país, o tempo de espera por uma mamografia na rede pública pode chegar a 80 dias.

O exame, quando realizado em tempo hábil, permite a detecção precoce de alterações mamárias, aumentando as chances de tratamento bem-sucedido e reduzindo a necessidade de intervenções invasivas e onerosas. “Os números revelam parte da sobrecarga no SUS e devem ser levados em conta, especialmente pelos recém-eleitos nas eleições municipais, na formulação e manutenção de políticas de saúde pública”, avaliou o CBR.

Subnotificação

Em nota, a entidade alerta que a fila de espera por mamografias no SUS pode ser ainda mais longa do que o indicado oficialmente. “Isso porque o SISREG [Sistema de Regulação] do Ministério da Saúde, plataforma que deveria registrar em uma fila única as demandas por cirurgias eletivas no país, depende de dados fornecidos voluntariamente pelas secretarias de saúde estaduais e municipais.”

“Um exemplo dessa discrepância pode ser observado no Distrito Federal, onde o sistema nacional informa uma fila de espera de 306 pacientes aguardando pelo exame. No entanto, dados divulgados pela imprensa local, baseados no Mapa Social do Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPTDF), apontam que o número real de mulheres à espera de uma mamografia é dez vezes maior, alcançando 3,6 mil.”





Para o CBR, a disparidade entre regiões e o tempo médio de espera também figuram como preocupações no contexto da realização de mamografias no Brasil. A entidade aponta “necessidade urgente de intervenções eficazes e de políticas públicas capazes de reduzir as filas e garantir acesso equitativo ao diagnóstico”.

Relatório recente publicado pelo Instituo Nacional de Câncer (INCA) sobre o controle do câncer de mama no Brasil aponta que longos períodos entre a solicitação do médico e a emissão do laudo podem dificultar a adesão da população ao rastreamento da doença. Em 2023, 48,8% das mamografias de rastreamento tiveram laudos liberados em até 30 dias após a solicitação do exame. Cerca de 36% dos laudos, entretanto, foram liberados com mais de 60 dias.


(*) Com informações da Agência Brasil

Câncer de próstata: entenda o que é, quais as causas e os sintomas


O movimento Novembro Azul alerta para a prevenção e diagnóstico precoce da doença
Escrito por Raísa Azevedo , raisa.azevedo@svm.com.br 

Legenda: Nos estágios iniciais, o câncer de próstata pode ser assintomático
Foto: Shutterstock




O câncer de próstata é uma doença caracterizada pelo crescimento descontrolado de células na próstata, uma glândula do sistema reprodutor masculino responsável pela produção de parte do sêmen.


Localizada na parte baixa do abdômen, é um órgão pequeno, tem a forma de maçã e se situa logo abaixo da bexiga e à frente do reto (parte final do intestino grosso). Envolve a porção inicial da uretra, tubo pelo qual a urina armazenada na bexiga é eliminada.

De acordo com dados do Ministério da Saúde, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens no Brasil, atrás apenas do câncer de pele não melanoma. No país, estimam-se 71.730 novos casos da doença por ano, revelou estudo do Instituto Nacional de Câncer (Inca) em 2022.

O Dia Mundial de Combate ao Câncer de Próstata é comemorado neste mês, em 17 de novembro. O movimento Novembro Azul, iniciado em 2003, na Austrália, destaca a importância da prevenção e do diagnóstico precoce das doenças que atingem a população masculina, em especial esse tipo de câncer.


Veja também

Ceará
Câncer de próstata: por semana, 3 homens são afastados do trabalho pela doença no Ceará


Ceará
CE pode ter 3 mil casos de câncer de próstata ao ano; entenda divergência sobre rastrear a doença



Tipos de câncer de próstata

O tipo mais comum é o adenocarcinoma, que se origina nas células glandulares, explica Francisco José Cabral Mesquita, urologista do Hospital Geral Dr. César Cals (HGCC), em entrevista ao Diário do Nordeste.


Segundo o especialista, ainda existem outros tipos menos comuns da doença, como o carcinoma de células pequenas, carcinomas neuroendócrinos, entre outros.
Causas

As causas exatas do câncer de próstata ainda não são completamente compreendidas, mas envolvem uma combinação de fatores genéticos, hormonais e ambientais.

Entre os principais fatores de risco, destacam-se:Idade avançada: no Brasil, a cada 10 homens diagnosticados com câncer de próstata, 9 têm mais de 55 anos, diz o Inca;
Histórico familiar de câncer de próstata: homens cujo pai ou irmão tiveram câncer de próstata antes dos 60 anos;
Dieta rica em gorduras, sobrepeso e obesidade: estudos recentes mostram maior risco de câncer de próstata em homens com peso corporal elevado;
Raça: há maior incidência da doença em homens negros;
Tabagismo: os fumantes têm um risco aumentado de morte por câncer de próstata, ou seja, aqueles que desenvolvem a doença têm um prognóstico significativamente pior;
Exposições a aminas aromáticas (comuns nas indústrias química, mecânica e de transformação de alumínio), arsênio (usado como conservante de madeira e como agrotóxico), produtos de petróleo, motor de escape de veículo, hidrocarbonetos policíclicos aromáticos (HPA), fuligem e dioxinas estão associadas ao câncer de próstata.

Conforme o Inca, o câncer de próstata, na maioria dos casos, cresce de forma lenta e não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem. Em outros casos, pode crescer rapidamente, espalhar-se para outros órgãos e causar a morte.

Sintomas

Nos estágios iniciais, o câncer de próstata pode ser assintomático, destaca o urologista Francisco José Cabral Mesquita. Quando os sintomas aparecem, podem incluir:Dificuldade para urinar;
Fluxo urinário fraco;
Presença de sangue na urina ou no sêmen;
Dor na região pélvica.
Qual o tamanho da próstata em risco?

O especialista afirma que o tamanho da próstata em si não é um indicador direto de risco de câncer. O importante é monitorar alterações por meio de exames médicos (Saiba mais sobre eles abaixo).

Diagnóstico


Legenda: Consultas de rotina a partir dos 45 anos é forma de diagnosticar o câncer de próstata de forma precoce
Foto: Shutterstock



De forma geral, o diagnóstico é feito por meio de exames de sangue para medir o PSA (antígeno prostático específico), exame digital retal e, se necessário, biópsia da próstata.

Exame de toque retal

O médico avalia tamanho, forma e textura da próstata, introduzindo o dedo protegido por uma luva lubrificada no reto. Este exame permite palpar as partes posterior e lateral da próstata.
Exame de PSA

É um exame de sangue que mede a quantidade de uma proteína produzida pela próstata – Antígeno Prostático Específico (PSA). Níveis altos dessa proteína podem significar câncer, mas também doenças benignas da próstata.

De acordo com o Ministério da Saúde, cerca de 20% dos pacientes com câncer de próstata são diagnosticados somente pela alteração observada no toque retal, reforçando sua importância para o diagnóstico e o tratamento precoces.
A partir de qual idade é recomendado fazer o exame?

Recomenda-se que homens a partir dos 50 anos façam exames regulares. Para aqueles com histórico familiar ou outros fatores de risco, a partir dos 45 anos.

Quando o câncer de próstata se torna perigoso?

O urologista alerta que a doença se torna mais perigosa quando se espalha para além da próstata, originando metástases e afetando outros órgãos e ossos, o que pode complicar o tratamento.


Veja também

País
Brasil deve ter 704 mil novos casos de câncer por ano até 2025; saiba os tipos mais recorrentes


Viva Saúde Ceará
Câncer de próstata: prevenção e tecnologia reduzem riscos para os pacientes



Tratamento

As opções de tratamento para o câncer de próstata incluem:
Vigilância ativa;
Cirurgia;
Radioterapia;
Terapia hormonal;
Quimioterapia, dependendo do estágio e agressividade do câncer.
Como é feita a cirurgia?

A cirurgia mais comum é a prostatectomia radical, que envolve a remoção completa da próstata e algumas estruturas adjacentes. O procedimento pode ser realizado por via aberta e laparoscópica, explica o médico Francisco José Cabral Mesquita.

O Inca recomenda que, depois do tratamento, seja após a cirurgia ou a radioterapia, o acompanhamento seja feito pelas dosagens do antígeno prostático específico (PSA) em amostras de sangue a cada 3 ou 6 meses.
Câncer de próstata tem cura?

Sim, especialmente quando diagnosticado precocemente. As taxas de cura são altas para os casos detectados nos estágios iniciais.

Prevenção

Segundo o médico, não há prevenção garantida, mas adotar medidas para uma rotina mais saudável, como dieta balanceada, prática de exercícios regulares e exames regulares podem ajudar a reduzir o risco da enfermidade.

Na rede pública de saúde no Ceará, o HGCC oferece um serviço especializado em urologia, com uma equipe multidisciplinar dedicada ao diagnóstico, tratamento e acompanhamento de pacientes com câncer de próstata, utilizando tecnologias avançadas e abordagens personalizadas para cada caso.

A Secretaria da Saúde do Ceará (Sesa) informa que as unidades estaduais referência para tratamento de câncer de próstata são: Hospital Geral de Fortaleza, Hospital Regional do Sertão Central, em Quixeramobim, e o Hospital Regional Vale do Jaguaribe, em Limoeiro do Norte. Há também atendimento na rede conveniada do SUS em todo o Estado.

Contudo, em caso de suspeita da doença, a Pasta orienta que o paciente procure primeiro o atendimento pela rede primária, no Posto de Saúde, para que ele receba as orientações necessárias, e não diretamente no hospital referenciado para o tratamento.

Empresários têm até o final de dezembro para escolher o regime tributário de 2025





Foto: Marcello Casal Jr/Agência Brasil

Para optar entre Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real, é preciso considerar o faturamento anual, porte da empresa, tipo de atividade exercida, entre outros fatores


Os empreendedores brasileiros têm até o final de dezembro para optar pelo regime tributário no qual vão se enquadrar em 2025: Simples Nacional, Lucro Presumido ou Lucro Real. A escolha vai depender de vários fatores, como faturamento anual, porte da empresa, tipo de atividade exercida, entre outros.

Para especialistas em direito tributário, a decisão é estratégica para a saúde financeira dos negócios, especialmente em setores com margem de lucro reduzido. Confira os detalhes de cada um dos regimes:

Lucro Real

No regime de Lucro Real, o cálculo do Imposto de Renda Pessoa Jurídica (IRPJ) e da Contribuição Social sobre o Lucro Líquido (CSLL) é feito com base no lucro líquido que a empresa teve dentro de um determinado período, após os ajustes por adições e/ou exclusões de despesas. A alíquota do IRPJ é de 15% e a do CSLL é de 9%.

Eduardo Natal, mestre em Direito Tributário pela PUC/SP e presidente do Comitê de Transação Tributária da Associação Brasileira da Advocacia Tributária (ABAT), explica que o recolhimento pode ser feito de forma anual, trimestral ou mensal e, em caso de prejuízo, a empresa é dispensada de pagar os tributos.

“É uma forma muito mais detalhada e que exige um controle contábil e fiscal bastante regulado. Além disso, ele trabalha com deduções, adições e exclusões ao lucro, o que normalmente é utilizado por empresas que faturam mais do que R$ 78 milhões por ano, algumas outras do sistema financeiro que são obrigatoriamente vinculadas ao Lucro Real e também por empresas que tenham uma maior complexidade operacional.”

Portanto, qualquer empresa pode escolher o Lucro Real, mas é uma alternativa mais viável para quem tem baixa lucratividade no início das atividades. Além disso, o regime é obrigatório para:negócios com faturamento acima de R$ 78 milhões ao ano;
empresas do setor financeiro;
empresas de factoring;
empreendimentos com benefícios fiscais;
empresas com lucro ou fluxo de capital originários de outros países.

Lucro Presumido

Já para as empresas que optam pelo regime de Lucro Presumido, a base de cálculo do IRPJ e da CSLL é uma margem de lucro pré-fixada pela legislação, que varia de acordo com a atividade da empresa. Para empresas do comércio, por exemplo, a margem de lucro presumida é de 8% da receita bruta, enquanto a margem de lucro presumida de empresas de serviços é de 32%. Portanto, mesmo que a empresa tenha um lucro maior no período de apuração, a tributação será feita com base na margem pré-fixada.

Segundo o especialista em Direito Tributário Eduardo Natal, o Lucro Presumido é mais vantajoso para empresas com faturamento anual menor do que R$ 78 milhões, “desde que o contribuinte não esteja, pela legislação, excluído dessa possibilidade”.

Simples Nacional

Já o Regime Especial Unificado de Arrecadação de Tributos e Contribuições devidos pelas Microempresas e Empresas de Pequeno Porte, mais conhecido como Simples Nacional, permite unificar o pagamento de diversos tributos, inclusive impostos estaduais, como o ICMS, municipais, como o ISS, e a contribuição patronal para a previdência.

Podem optar pelo Simples Nacional os Microempreendedores Individuais (MEIs), as Microempresas (ME) e as Empresas de Pequeno Porte (EPP). Para isso, é preciso respeitar o limite anual de faturamento estabelecido pela legislação:MEI: até R$ 81 mil/ano
ME: até R$ 360 mil/ano
EPP: até R$ 4,8 milhões/ano

Além da unificação dos tributos, o especialista em Direito Tributário Eduardo Natal ressalta que outra vantagem do Simples Nacional é a não tributação sobre a folha de pagamentos.
Como escolher o melhor regime tributário?

André Felix Ricotta de Oliveira, doutor e mestre em Direito Tributário pela PUC/SP e membro da Comissão de Direito Tributário e Constitucional da OAB/ Pinheiros, recomenda que, para fazer um bom planejamento tributário para 2025, é importante que o administrador da empresa entenda muito bem a atividade exercida, em especial a margem de lucro que espera alcançar no ano que vem.

“Ou perceber se não terá lucro no ano de 2025, pois se não terá lucro, ou a margem de lucro for muito baixa, o melhor regime tributário que ela pode optar é o do Lucro Real. Muitas vezes a empresa opta pelo Lucro Presumido e não chega nos resultados que a legislação presume como lucro. Então é muito importante saber se, dentro das faixas do Lucro Presumido, o seu lucro será maior ou menor. Se for inferior à prevista na legislação do Lucro Presumido, opte pelo Lucro Real.”

Para o especialista em direito tributário Eduardo Natal, o primeiro fator que o empreendedor deve considerar é a possibilidade legal de enquadramento no regime tributário. “São modalidades que colocam, em suas respectivas bases de legislação, limites de faturamento, de atividades”, pondera.

Outro aspecto é o valor da carga tributária efetiva que o regime vai trazer para a empresa. “O quanto de tributo será pago? Considerando que tributo é sempre uma despesa, quanto menor for a carga tributária efetiva, a opção acaba sendo em função da menor onerosidade”, afirma Eduardo Natal.

O terceiro fator a ser considerado para escolha do regime tributário é a burocracia fiscal contábil que, nesse caso, tem o Simples Nacional como menos burocrático em comparação com o Lucro Real e o Lucro Presumido, segundo o especialista.

Simples Nacional: saiba mais sobre o regime unificado de tributação

Simples Nacional: setor de serviços deve ser o mais impactado com a reforma tributária
Reforma tributária

O especialista em direito tributário André Félix ressalta que a reforma tributária sobre o consumo, que vai começar em 2026 com uma alíquota teste de 1%, vai impactar especialmente os prestadores de serviços e empresas do Simples Nacional.

“Nesse sistema novo do IVA Dual (Imposto sobre Valor Agregado), as empresas do Simples Nacional não darão crédito pleno aos seus clientes. Então isso pode afetar o cliente em escolher não adquirir mais uma empresa no Simples Nacional, mas uma empresa no Lucro Presumido ou no Lucro Real.”

Além disso, segundo o tributarista, as empresas do Simples Nacional poderão recolher o IBS e a CBS fora do regime unificado, podendo haver aumento da carga tributária para esses empreendimentos.
#Empresas#Reforma Tributária#Simples Nacional#Sistema Tributário

Pressão baixa: Causas, sintomas e o que fazer?





Foto: Reprodução/Canal Doutor Ajuda

Neste episódio o cardiologista, Bruno Mioto, fala sobre pressão baixa


A hipotensão arterial, ou pressão baixa, é considerada quando a pressão arterial está abaixo de 90/60 mmHg e quando a pressão está baixa, o fluxo de sangue pode reduzir e é isso que causa os sintomas.


Existem muitas causas para isso, dentre elas estão: Problemas no coração, como arritmias e infarto, quando o coração deixa de bombear o sangue devidamente;
Sangramentos importantes, principalmente após cirurgias ou traumas;
Desidratação;
Uso de medicamentos;
Reações alérgicas;
Infecções graves.

Além disso, a diabetes, hipotireoidismo, gestação e calor excessivo também podem causar pressão baixa, existem ainda problemas comuns do dia a dia como a queda de pressão nos dias de calor, isso porque os vasos sanguíneos ficam mais dilatados reduzindo a pressão.


Normalmente, a pessoa com pressão baixa apresenta sintomas, como tontura, escurecimento da visão, fraqueza e sensação de desmaio, sudorese, náuseas e vômito.

Se isso acontecer com você, o que fazer?


No caso de queda brusca da pressão sem outros sintomas você deve: deitar e se possível colocar as pernas mais elevadas, ingerir bastante líquido em pequenos goles e procurar atendimento médico caso os sintomas permaneçam por mais que 15 minutos.


Colocar sal debaixo da língua pode ajudar em uma crise de pressão baixa? Não, essa ideia surgiu pois como o sal é associado a pressão alta, as pessoas achavam que isso ajudaria a fazer com que a pressão subisse. Mas a verdade é que o sal demoraria muito tempo para fazer efeito na pressão arterial e portanto não serve de ajuda numa queda de pressão baixa repentina.


Se você tiver queda de pressão junto com outros sintomas como dor no peito ou falta de ar, ou se persistir por mais de 15 minutos, você deve procurar o pronto-socorro o quanto antes.

Redação do Enem: leia 3 textos de alunas que tiveram nota 1.000 e entraram em Medicina e Direito


Nos últimos dias antes da prova, estudantes que tiraram nota máxima no vestibular do ano passado aconselham participantes a relaxar e buscar atividades de lazer

Por Milena Teixeira

O Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) de 2024 acontece nos próximos dois domingos, dias 3 e 10 de novembro, com 4,3 milhões de inscritos, sendo 1,6 milhões aptos a concorrer a uma vaga na universidade. O exame é dividido em cinco provas, quatro de múltipla escolha e uma redação.

No primeiro domingo, as provas de Linguagens, Ciências Humanas e Redação são aplicadas; no segundo domingo, as provas de Matemática e Ciências da Natureza. No total, somam-se 180 questões de múltipla escolha, que são corrigidas pela Teoria de Resposta ao Item (TRI). A TRI avalia os alunos tendo em vista a coerência de suas respostas: questões fáceis valem mais nota, e questões difíceis valem menos.

Leia também:

Enem tem 5 milhões de inscritos; entenda como exame virou principal canal de acesso às universidades



Final da Copa Do Brasil vai atrapalhar o Enem? Saiba o que secretários de educação pedem à CBF



Veja temas do Enem que podem cair na redação de 2024


A redação é a única prova em que o candidato pode tirar nota máxima, de mil pontos. Isso ocorre porque o texto dissertativo-argumentativo escrito pelos candidatos não é corrigido pela TRI, e sim por professores de português.



Enem deste ano tem 4,3 milhões de estudantes inscritos. Foto: Werther Santana/Estadão

No ano passado, 60 candidatos tiraram a nota máxima na prova de redação do Enem, frente aos 2,7 milhões que fizeram a prova. Entre os alunos que tiraram nota mil, apenas quatro eram oriundos de escola pública. Em 2022, o número de candidatos com nota máxima foi ainda menor, de apenas 18 alunos.

Historicamente, os temas da prova de redação do Enem discutem problemas sociais. O tema do ano passado foi “Desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil”.

Veja algumas redações nota mil do ano passado, e saiba o que as estudantes fizeram para atingir a nota:

1. Caroline Souza, 22 anos: ‘listinha de erros’ e aprovada em Medicina

De Goiânia (GO), Caroline Souza, de 22 anos, está entre os candidatos que receberam nota mil na redação do Enem no ano passado. Ela já estava no quarto ano de cursinho após o Ensino Médio, e sonhava com uma vaga no curso de Medicina. Nos três primeiros anos, Caroline fez cursinho presencial, e no quarto ano decidiu migrar para os estudos online para economizar tempo de deslocamento e dinheiro. De acordo com ela, a maturidade dos anos de estudo a apoiaram a tirar a nota máxima.


“Nos outros anos, eu fazia apenas uma redação por semana, mas no ano passado eu comecei a fazer duas. Ali na reta final, eu fazia até três por semana”. Além disso, a estudante afirma que passou a fazer correções pormenorizadas de suas redações. “Uma coisa que me ajudou muito foi fazer uma listinha de erros. A cada redação, eu analisava de forma bem objetiva meus erros, e escrevia nessa listinha a forma correta.”

Hoje, Caroline é aluna de Medicina na UFG. A nota mil na redação ajudou a jovem a entrar logo na primeira chamada. “Estou muito realizada, foi um alívio, depois de tanta luta, alcançar esse objetivo”.

Leia a redação de Caroline abaixo:

“Na Grécia Antiga, berço das civilizações ocidentais, a mulher era excluída da cidadania ateniense, fato que reflete a marginalização da figura feminina na população da época. Essa herança excludente se perpetuou ao longo dos séculos e exerce considerável influência na sociedade contemporânea, em especial, no que tange à invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil, problemática que se materializa na sobrecarga laboral e na reduzida remuneração. Por essa razão, é preciso discutir os desafios para o enfrentamento das adversidades em questão: a negligência do Estado e a omissão da comunidade.

De início, cabe pontuar que a inoperância do governo, expressa na falta de políticas públicas voltadas à valorização da cuidadora de idosos, por exemplo, constitui um bloqueio ao combate da invisibilidade desse ofício. Sem dúvidas, isso ocorre, pois a escassez de fiscalização em clínicas de repouso da terceira idade para averiguar as condições de trabalho das cuidadoras sedimenta o descaso do Estado em exercer seu papel administrativo, já que o excesso de carga laboral vivenciado por elas ceifa o direito à dignidade humana, previsto no artigo primeiro da Carta Magna de 1988. Sob essa ótica, as condições impróprias de ofício são normalizadas no cotidiano pela inobservância governamental e as mulheres, historicamente segregadas da atenção estatal, são ainda mais invisibilizadas na execução de suas funções. Logo, a ineficiência do poder público dificulta o enfrentamento do problema abordado.

Além disso, vale ressaltar que a omissão da população, ao ignorar a desvalorização salarial de trabalhadores de cuidado, como o zelo doméstico, solidifica os empecilhos para coibir a invisibilidade dessa temática. De fato, esse cenário ocorre a partir da indiferença social, conduta que despreza as mazelas alheias — consideradas irrisórias —, de modo a alicerçar a carência de notoriedade do ofício, bem como outras defasagens salariais enfrentadas por aquelas que limpam e cozinham, por exemplo. Sob essa perspectiva, além do preconceito de gênero histórico, as mulheres cuidadoras são secundarizadas do olhar social atual, confirmando a citação do romancista Juan Montalvo, para o qual “não há nada mais duro do que a suavidade da indiferença”, uma vez que o descaso de remuneração se mantém pela falta de debates sociais acerca do problema. Portanto, a inação coletiva é um desafio.

Em suma, o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil tem como desafios a negligência do Estado e a omissão da coletividade. Para mitigar esses entraves, o Ministério Público deve exigir maior exercício constitucional do Estado, por meio de fiscalizações nas clínicas de repouso — haja vista as cuidadoras vítimas da sobrecarga trabalhista serem alijadas do direito à dignidade —, a fim de conferir maior valorização a essa classe. Ademais, a sociedade deve superar as amarras da indiferença social para combater a falta de notoriedade do cuidado de um grupo vitimado desde a Grécia Antiga.”

2. Letícia de Morais, 21 anos: treinos cronometrados e vaga em Medicina

Letícia de Morais, de 21 anos, estudante que tirou nota mil na redação do Enem e conquistou vaga em Medicina. Foto: Arquivo pessoal/Letícia de Morais

Letícia de Morais, de 21 anos, se formou no Ensino Médio em 2021 em uma escola pública de Inhumas-GO, e também sonhava em passar no curso de Medicina. Porém, sem condições de arcar com um cursinho pré-vestibular presencial, a aluna optou por assinar cursinhos online para seguir com a preparação para o vestibular. Foi no segundo ano dedicado exclusivamente aos estudos que Letícia recebeu a nota mil na prova de redação do Enem, que a fez ser aprovada em Medicina na UFG, junto com Caroline.

“Eu tirava sempre um dia da semana para dedicar à redação, e cronometrava para fazer como se fosse um simulado do dia da prova.” Para Letícia, além da prática, é necessário entender a teoria por trás da redação. “A gente acha que redação é só prática, mas não. Tem a cartilha do INEP falando como são cobradas as competências, e saber o que precisa colocar no texto ajuda muito.”


Além disso, a estudante aconselha a focar não só nos estudos, mas também na saúde mental na reta final para a prova. “Eu sempre falo que é muito bom manter uma rotina de saúde, de cuidado, exercício físico, boa alimentação, tirar um tempo para descansar. Isso tudo foi essencial no ano da minha aprovação.”

Leia a redação de Letícia abaixo:

São inegáveis os desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil. A obra literária “Orgulho e Preconceito”, de Jane Austen, retrata o desejo da Sra. Bennet de casar as cinco filhas. Fora da ficção, observa-se semelhanças entre a Sra. Bennet e a sociedade, a qual associa o casamento e o cuidado familiar ao sucesso feminino. Todavia, nota-se a falta de valorização, que gera invisibilidade, ao trabalho de cuidado realizado pela mulher. Portanto, é imprescindível verificar os motivos que impedem a solução do problema.

Em primeiro lugar, há de se ressaltar a omissão governamental diante da invisibilidade do trabalho de cuidado feito pela mulher. Consoante sociólogo Thomas Hobbes, o Estado deve garantir o bem-estar social. Entretanto, a ausência de valorização do trabalho de cuidado feito pela mulher contraria o pensamento de Hobbes. Nesse contexto, 75% do trabalho de cuidado não remunerado é realizado por mulheres. Dessa maneira, as mulheres têm a qualidade de vida privada ou prejudicada, uma vez que não há programas governamentais os quais garantam segurança financeira para as mulheres que deixam o trabalho remunerado para cuidar dos entes. Sendo assim, a falta de apoio governamental corrompe o bem-estar social.

Em segundo lugar, sabe-se que a sociedade contribui para a ausência de valorização do trabalho de cuidado realizado pela mulher. Nessa perspectiva, a história brasileira apresenta valores e percepções sociais enraizadas em relação ao trabalho feminino. Desse modo, a imagem da mulher caracterizou-se como reprodutora e cuidadora, devido ao passado no qual a mulher foi inferiorizada. Paralelamente, na atualidade, a perpetuação de tal imagem referente à mulher impediu a valorização e o reconhecimento do trabalho de cuidado realizado pela mulher, formando, assim, uma sociedade baseada no preconceito e na discriminação de gênero.

Logo, para superar os desafios para o enfrentamento da invisibilidade do trabalho de cuidado realizado pela mulher no Brasil, cabe ao poder público, em parceria com o Ministério da Família, promover a valorização do trabalho feminino de cuidado. Dessa forma, por meio de campanhas na mídia nacional que sensibilizem a população, bem como pela promulgação de projetos de apoio financeiro destinados às mulheres que saem do trabalho formal para realizar o trabalho de cuidado, tem-se o intuito de mitigar o legado histórico de preconceito e de garantir o devido valor do trabalho de cuidado feito pelas mulheres no Brasil. Posto isto, espera-se assegurar a importância do trabalho de cuidado feito pela mulher e superar o cenário mostrado por Jane Austen.

3. Ana Luiza Coutinho, 19 anos: dedicação integral no Ensino Médio e aprovada em Direito

Ana Luiza Coutinho, de 19 anos, tirou nota mil no Enem 2023 e entrou em Direito na UFRJ. Foto: Arquivo pessoal/Ana Luiza Coutinho

Ana Luiza Coutinho, de 19 anos, mora no Rio de Janeiro, e, no seu último ano do Ensino Médico, conseguiu nota mil na redação do Enem. Na época, ela estudava no Colégio PH, no Rio de Janeiro, e passava muitas horas na escola.

“Durante o terceiro ano, eu ficava praticamente o dia inteiro na escola. Chegava pouco antes das 7h, e às vezes ficava até as 19h. Eu frequentava o contraturno, ficava nas monitorias para estudar as matérias que tinha dificuldade, e nos finais de semana, tinha um simulado igualzinho ao Enem”.

Como resultado na boa nota na prova, Ana Luiza foi aprovada no curso de Direito na UFRJ, onde estuda atualmente.

“A minha dica para quem vai fazer a prova agora é olhar como simplesmente uma etapa que é preciso passar para chegar nos seus sonhos. Eu acho que o momento agora é de olhar para a jornada de cada um e descansar. Você fez tudo o que estava ao seu alcance e agora é acreditar em si mesmo”, aconselha ela.

Leia a redação de Ana Luiza Coutinho abaixo:

“Um dos contos presentes no livro ‘Laços de Família’, de Clarice Lispector, acompanha a epifania da personagem Ana ao fugir de seus afazeres domésticos. Ela, que se via sentenciada a cuidar da casa e dos filhos, assemelha-se a muitas mulheres brasileiras, que exercem essas e outras tarefas diariamente, sem valorização e, até mesmo, sem remuneração. Nesse sentido, cabe analisar as causas socioeconômicas da invisibilidade do trabalho de cuidado no Brasil contemporâneo.

Em primeira perspectiva, a sociedade limita a mulher e sua função social ao ambiente caseiro e à realização de cuidados especiais. Isso ocorre porque, de acordo com o corpo social estabelecido, a essência cuidadosa é algo inerente ao feminino, muitas vezes associado à maternidade. Todavia, essa característica é construída e imposta às mulheres, que são frequentemente moldadas - assim como elucidado por Simone de Beauvoir: " Não se nasce mulher, torna-se”. Esse cenário é instigado pela cultura patriarcal e machista da nação, que atribui o cuidado e o lar somente ao sexo feminino. Desse modo, esse trabalho é visto como uma obrigação da mulher e não como um trabalho de fato, o que, por conseguinte, gera a desvalorização de tão importante exercício.

Ademais, o cuidado não é percebido com valor de mercado. Isso porque não é uma atividade altamente lucrativa e produtiva do ponto de vista mercadológico, o que, segundo Byung-Chul Han em ‘A Sociedade do Cansaço’, são fatores valorizados nos dias atuais. Esse panorama se dá pela lógica capitalista que norteia as relações de trabalho do mundo hoje, priorizando o lucro de indústrias e empresas em detrimento do cuidado com pessoas — majoritariamente exercido por mulheres. Consequentemente, há a má remuneração dessa ocupação, o que afeta a igualdade de gênero na inserção no mercado de trabalho e atrapalha a emancipação feminina.

Portanto, fazem-se evidentes as matrizes da invisibilidade do trabalho de cuidado em solo nacional. Logo, não se deve hesitar: são necessárias medidas para a erradicação da problemática. É responsabilidade, então, do Ministério da Educação — órgão federal que gere o ensino brasileiro- alterar a estrutura machista e patriarcal nas salas de aula. Isso pode ser feito por meio da inserção na Base Nacional Comum Curricular de formas de empoderamento feminino como assunto obrigatório na formação cidadã. Essa mudança deve ser alcançada com a finalidade de valorizar o trabalho exercido por mulheres, principalmente os mais invisíveis, como o de cuidado. Outrossim, cabe ao Governo Federal aumentar o salário mínimo atual, com o objetivo de garantir uma remuneração adequada a todos, bem como às mulheres que se ocupam com o cuidado, favorecendo suas independências financeiras. Quem sabe, assim, todas as ‘Anas’ que cuidam do Brasil tornar-se-ão visíveis, valorizadas e prestigiadas.”

Operação Churrascada: PF indicia desembargador de São Paulo por venda de sentenças


Relatório final da investigação imputa a Ivo de Almeida os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional; defesa diz que indiciamento é ‘arbitrário e ilegal’

Por Rayssa Motta e Fausto Macedo


A Polícia Federal (PF) indiciou o desembargador Ivo de Almeida, do Tribunal de Justiça de São Paulo, por suspeita de vender decisões judiciais. Investigado na Operação Churrascada, ele está afastado das funções desde junho por determinação do ministro Og Fernandes, do Superior Tribunal de Justiça (STJ). A medida vale por um ano.

O relatório final da investigação imputa ao magistrado os crimes de corrupção passiva, lavagem de dinheiro, associação criminosa, advocacia administrativa e violação de sigilo funcional.

O documento foi entregue ao Superior Tribunal de Justiça (STJ).

Em nota, os advogados Átila Machado e Luiz Augusto Sartori de Castro, que representam o desembargador, afirmam que o indiciamento é “arbitrário e ilegal”.

“Os depoimentos e as perícias realizadas no curso do inquérito policial, para além de comprovarem a absoluta inocência do desembargador, demonstram que ele foi vítima de um ex-amigo – falecido em 2019 – que vendia ilusões valendo-se do nome e do prestígio do magistrado, sem que este soubesse de nada e, principalmente, tivesse qualquer ganho financeiro”, afirma a defesa (leia a íntegra ao final da matéria).


Desembargador Ivo de Almeida foi indicado pela Polícia Federal por cinco crimes. Foto: Daniela Smania / TJSP

Outras quatro pessoas também foram indiciadas:

Luiz Pires Moraes Neto, advogado suspeito de resgatar propina de R$ 1 milhão para comprar decisão do desembargador;
Romilton Queiroz Hosi, traficante preso que, segundo a PF, seria beneficiado por habeas corpus do desembargador;
Wellington Pires da Silva, guarda civil que trabalha com o advogado Moraes Neto e que também teria negociado a compra de decisões;
Wilson Vital de Menezes Júnior, apontado como o emissário do desembargador nas negociações.

Leia também

Churrascada: os detalhes da Operação da PF que mira desembargador do TJ-SP por venda de decisões



Suposto elo de venda de sentenças diz à PF que seu pai ‘vendia ilusões em nome de desembargador’



PF descobre ‘rachadinha’ no gabinete e R$ 641 mil para desembargador de SP


O delegado André Luiz Barbieri, responsável pela investigação, afirma no relatório que Ivo de Almeida mantém “relações e assuntos obscuros” e tinha “pleno conhecimento” dos crimes.

“Deve-se levar em conta o fato de o magistrado utilizar pessoas interpostas para as negociações ilícitas, bem como enviar mensagens cifradas ao se comunicar com interlocutores, e realizar uma vultosa movimentação de dinheiro em espécie sem origem comprovada”, diz o relatório da Polícia Federal.

Operação Churrascada: trecho de relatório final da PF; delegado imputa lavagem de dinheiro ao desembargador Foto: Reprodução/processo judicial

Os policiais federais chegaram a fazer buscas no gabinete e na casa do desembargador, onde apreenderam R$ 170 mil em dinheiro vivo.


Uma das principais suspeitas da Polícia Federal envolve justamente a movimentação de recursos em espécie. Em 2017, o desembargador começou a pagar faturas de cartão de crédito com dinheiro vivo e, por volta da mesma época, a declarar esses recursos no Imposto de Renda. Segundo a PF, “não foi encontrado nem apresentado nenhum documento que comprovasse a origem deste numerário declarado”.


“Carnes”, “picanha”, “chefe da oficina”, “mecânico”, “carro”, “nosso amigo” e “churrasco” eram algumas das senhas usadas para se referir a Ivo de Almeida, segundo a Polícia Federal. As expressões inspiraram os investigadores a batizarem a Operação de “Churrascada”.

A PF suspeita que o desembargador Ivo de Almeida teria negociado e vendido decisões judiciais em ao menos quatro casos. O mais sensível envolve o narcotraficante internacional Romilton Hosi, apontado como um dos homens de confiança de Fernandinho Beira Mar. Mensagens recuperadas na investigação indicam a negociação de R$ 1 milhão para transferir o traficante, o que não ocorreu.

Operação Churrascada: conversas transcritas no relatório final do inquérito apontam negociação de decisões. Foto: Reprodução/processo judicial

COM A PALAVRA, OS ADVOGADOS ÁTILA MACHADO E LUIZ AUGUSTO SARTORI DE CASTRO, QUE DEFENDEM O DESEMBARGADOR

Manifestamente arbitrário e ilegal: é assim que a defesa classifica o indiciamento promovido pela Autoridade Policial.

“Coincidentemente”, no mesmo dia em que o desembargador Ivo de Almeida pediu ao Ministro Og Fernandes a revogação das medidas cautelares impostas, a autoridade policial indiciou, de forma desesperada e abrupta, o magistrado com a finalidade única de tentar salvar uma investigação que, desde o início, se mostrou sem fundamento.

Não há nos autos nenhuma decisão dada em sede de plantão, nem monocrática proferida pelo desembargador sob investigação. De igual forma, restou provado que nunca existiu decisão favorável a qualquer chefe de facção criminosa proferida pelo desembargador Ivo de Almeida.

Os depoimentos e as perícias realizadas no curso do inquérito policial, para além de comprovarem a absoluta inocência do desembargador, demonstram que ele foi vítima de um ex-amigo – falecido em 2019 – que vendia ilusões valendo-se do nome e do prestígio do magistrado, sem que este soubesse de nada e, principalmente, tivesse qualquer ganho financeiro.

Por que o governo precisa mexer na Previdência para fazer valer o limite de gastos de 2,5%


Não adianta escrever no papel que a despesa não pode ter crescimento real de mais de 2,5% ao ano, se ainda há regras de vinculação de benefícios e políticas de repasses a municípios


Por Alvaro Gribel e Daniel Weterman

BRASÍLIA – O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva estuda limitar as principais despesas do Orçamento a um crescimento real de 2,5% ao ano, o mesmo teto do arcabouço fiscal, mas terá dificuldade para fazer valer essa medida se não mexer nas regras e nas políticas que fazem crescer essas despesas, especialmente os gastos da Previdência Social.



Não adianta escrever no papel e colocar numa lei que os benefícios previdenciários, por exemplo, não podem crescer mais do que 2,5%, se por outro lado ainda ficarão vinculados ao aumento do salário mínimo. O que origina o gasto na política pública vai continuar pressionando o teto da despesa orçamentária. Essa percepção ficou mais latente com as recentes notícias sobre o pacote de corte de gastos.

A equipe econômica já concorda há tempos com o diagnóstico de que o arcabouço fiscal tem um problema estrutural de origem. Se existe um teto de 2,5% para o crescimento total dos gastos, há rubricas específicas subindo muito acima dessa taxa, o que acaba por comprimir outras despesas. Por isso, como revelou o Estadão em junho, está em estudo pelo Ministério da Fazenda uma proposta para tentar fazer todo mundo “correr no mesmo ritmo”, ou seja, com alta de no máximo 2,5%.

Os ministros Fernando Haddad, da Fazenda, e Simone Tebet, do Planejamento, buscam uma fórmula que ajuste os gastos do governo de forma 'estrutural' Foto: Wilton Junior/ Estadao


O desafio da Previdência

O grande problema ocorre justamente na principal despesa do Orçamento, que são os gastos com a Previdência. Como se aposentar é um direito, desde que as regras para a concessão sejam cumpridas, não há como o Ministério da Previdência deixar de conceder o benefício. O que vai fazer com a pessoa que, pela lei e pelas regras vigentes, passa a ter direito ao benefício, se a despesa já bateu no teto? E com o pagamento que a Justiça manda dar?

De um lado, há o envelhecimento da população brasileira, que tem acelerado os pedidos de aposentadoria. De outro, a indexação do salário mínimo com o Produto Interno Bruto (PIB), que garante um crescimento real do gasto (acima da inflação) todos os anos. A combinação dos fatores torna praticamente impossível estabelecer um teto para essa rubrica, segundo especialistas. No Ministério da Previdência, o entendimento é o mesmo.

Uma das opções aventadas seria estabelecer o teto de 2,5% para a indexação do salário mínimo. Ou seja, o crescimento real seria preservado, mas com o teto máximo do arcabouço fiscal. A medida é vista como benéfica, mas poderia ter pouco efeito nos próximos anos, já que o mercado financeiro não projeta crescimento do PIB do País acima desse patamar.


R$ 2,322 trilhões de despesas por ano

Segundo dados do Tesouro Nacional, as despesas do governo chegaram a R$ 2,322 trilhões em 12 meses encerrados em agosto. Desse total, R$ 960 bilhões são benefícios previdenciários, com cerca de 44% desse valor atrelado ao salário mínimo ou R$ 422 bilhões. Além disso, também estão atrelados ao salário mínimo os gastos com Benefícios de Prestação Continuada (BPC), que chegaram a R$ 107 bilhões na mesma comparação, além de outros R$ 80 bilhões com abono e seguro-desemprego. Tudo somado, há cerca de R$ 609 bilhões ou 26% do total do Orçamento, crescendo mais fortemente por causa da indexação.

O teto de 2,5% poderia ter mais efeito sobre outros gastos importantes do governo, como os pisos de saúde e da educação, ProAgro e as emendas parlamentares. Mas não sem dificuldades.

Leia também

Corte de gastos: Saiba quais medidas o governo Lula discute e por que o pacote mexeu com o dólar



Mercado prevê corte de R$ 25,5 bi nas despesas de 2025, mas ideal seria ajuste de R$ 49,5 bi



Rolf Kuntz: 'Governo obtém emprego recorde num cenário ainda inseguro'


No caso da saúde, os municípios são responsáveis pela maior parte dos gastos no setor público (mais que a União e os Estados), mas dependem de recursos federais. Os repasses são pactuados entre as prefeituras, os governos estaduais e o Ministério da Saúde. As verbas do Sistema Único de Saúde (SUS), que compõe o piso, remuneram procedimentos como consultas, exames e cirurgias de acordo com a produção dos governos locais. Com um teto escrito, o que fazer com as demandas? Além dos desafios técnicos, há os impasses políticos, pois dependem de aprovação do Congresso, apoio dos prefeitos e governadores e ainda antes do presidente Lula.

Nove em cada dez brasileiros querem mais mulheres na política

Pesquisa mostra que população quer mais candidatas na próxima eleição Joana Côrtes – Repórter da Rádio Nacional 20/03/2025 - 20:59 São Paul...