CARLOS ALBERTO ALBUQUERQUERESPONSÁVEL PELO BLOG CONEXÃO REGIONAL
sábado, 29 de junho de 2024
O legado do Real para a democracia
Plano de estabilização monetária é filho do regime democrático, pois só uma sociedade livre, senhora do seu destino, é capaz de planejar e construir um futuro mais auspicioso para todos
Por Notas & Informações
O real, moeda mais longeva da história recente do País, completará 30 anos no próximo dia 1o de julho. O distanciamento histórico só enaltece a grandeza da concertação política entre os Poderes Executivo e Legislativo que viabilizou a aprovação do Plano Real. Seguramente, a estabilidade monetária foi a maior conquista coletiva da sociedade brasileira na Nova República – no mínimo, por ter restaurado sua capacidade de sonhar. Ademais, o feito se tornou uma das mais chamativas vitrines do bem que só o regime democrático é capaz de fazer à Nação.
“A democracia motivou toda a estabilização”, disse Pérsio Arida, um dos formuladores do Plano Real, durante um seminário realizado há poucos dias na Fundação Fernando Henrique Cardoso a propósito do aniversário do plano. De fato, estabilização permite planejamento. E só uma sociedade livre, senhora do seu destino, é capaz de planejar e construir um futuro mais auspicioso para todos.
Desde o advento do real, milhões de brasileiros nasceram e cresceram sem ter vivido um dia sequer as agruras de lidar com a hiperinflação, um desastre que consumia todas as energias do País. Para esses cidadãos mais jovens pode até soar estranho, talvez inconcebível, mas se tratava de um Brasil incapaz de olhar para quaisquer outros de seus muitos problemas, que dirá pensar e implementar políticas públicas mais perenes para solucioná-los, absolutamente perdido que estava por ter em circulação uma moeda que mal valia o papel em que era impressa.
Como foi possível superar um desafio dessa magnitude? – muitos podem se perguntar, sobretudo olhando o passado em contraste com a claudicante relação entre o governo Lula da Silva e o Congresso, movida a orçamento secreto. Ora, o Congresso daqueles idos da década de 1990 não era essencialmente melhor ou pior do que o Congresso atual. Era um retrato tão fiel da sociedade como o é hoje. Os parlamentares tampouco eram mais ou menos desprendidos de interesses paroquiais. O que havia então e não há agora eram um governo digno do nome, com um plano claro para o País, e disposição para negociar em bases minimamente republicanas, vale dizer, em torno do melhor interesse público.
Um plano como o Real – pensado, implementado e comunicado da forma como tudo foi feito – decerto foi um “milagre”, “um acidente histórico”, “um ponto fora da curva” ou qualquer outra expressão similar que o leitor queira empregar no lugar. Dificilmente se repetirá, não apenas na área econômica, mas em qualquer outra esfera da administração pública. Em primeiro lugar, havia o quilate intelectual, a capacidade administrativa e o espírito público dos envolvidos – a começar, é claro, pelo presidente Fernando Henrique Cardoso.
Ademais, ao longo dessas três décadas, a política, desafortunadamente, deixou de ser tratada como o meio civilizado de negociação da miríade de interesses em jogo na sociedade para ser apresentada por trambiqueiros de todas as cepas como uma guerra de aniquilação. Isso dificulta, quando não interdita, a formação de consensos mínimos entre os cidadãos, como foi o Real, em que pesem suas diferenças políticas e ideológicas.
A despeito das singularidades do Plano Real, uma coisa é certa: um dos maiores legados daquela união de esforços ímpar na história republicana, que haverá de ser lembrado junto com suas realizações técnicas, é o triunfo da democracia como esteio das grandes conquistas sociais, políticas e econômicas. Não foi por acaso que a superação de uma das mais terríveis mazelas nacionais ocorreu sob o regime democrático.
Não se pode condenar quem olhe para o passado e lamente que uma liderança como Lula da Silva – que, aliás, foi ferozmente contra o Plano Real – desperdice todo o seu capital político ao apostar numa agenda desagregadora, desconectada de seu tempo e irremediavelmente condenada ao fracasso, por já ter sido testada e reprovada.
Resta torcer para que um novo alinhamento de planetas se forme, sabe-se lá quando, e o Brasil volte a ser governado por um estadista que, ao lado do Congresso, resgate na Nação a capacidade de dialogar e fazer nascer dias melhores.
Energia eólica offshore: Sem regulação, tudo está atrasado
Escrito por Egídio Serpa, egídio.serpa@svm.com.br
Por causa desse atraso, investidores estão trocando o Brasil por outros países

Legenda: Por falta de regulação, os investidores estão deixando o Brasil para investir em energia dentro do mar de outros países
Foto: Shutterstock

Egídio Serpa
Ricardo de Luca, diretor-geral da Corio Generation, empresa do setor de energia da qual é sócia a cearense Servtec, disse a esta coluna que a falta de um marco regulatório para a geração de energia eólica offshore (dentro do mar) está causando a fuga de várias empresas do Brasil para outros países.
Esta é uma informação importante e grave, mas não chega a surpreender, pois faz parte da tradição brasileira retardar a tomada de decisões. Há três anos os poderes Executivo e Legislativo do Governo da União protelam o que já deveria ter sido adotado.
“Para que o Brasil se mantenha protagonista e passe a liderar a transição energética em curso no mundo, assumindo relevante papel geopolítico, é necessário e urgente o estabelecimento de um marco legal que dê segurança jurídica aos investimentos nas usinas de geração eólica offshore, os quais serão muito elevados”, afirmou Luca à coluna.
Na sua opinião, é grande e crescente o interesse de empresas nacionais e internacionais pelo desenvolvimento da geração eólica ao longo de toda a costa brasileira. Ele citou dados do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente (Ibama), segundo os quais há mais de 230 GW (gigawatts) de projetos inscritos e em processo de análise de licenciamento ambiental.
“Contudo, lamentavelmente, algumas empresas estão abandonando seus projetos no Brasil para investir em outros países devido à demora no estabelecimento do indispensável marco regulatório”, acrescentou ele.
Ainda de acordo com Ricardo de Luca, o desenvolvimento de projetos de geração de energia offshore demandam de 8 a 10 anos para sua implantação e operação.
“É urgente, pois, a aprovação do PL 576/2021, que regulamenta a atividade e tem o objetivo de preparar o País para dominar essa fonte de geração já na próxima década, sob pena de perdermos a oportunidade para outros países como parece já ocorrer”, acrescenta ele. É um assunto de alto interesse do Ceará e dos cearenses.
“O Ceará representa 30% dos projetos com licenciamento ambiental requerido no País, o que mais uma vez revela o conhecido potencial e a clara vocação do estado para as energias renováveis”, disse Luca. Ele revelou que a Corio Generation, especificamente, está desenvolvendo, em conjunto com a empresa cearense Servtec Energia, um projeto de 3.8 GW a ser instalado no litoral do Ceará.
Neste estado, há elaborados e em análise no Ibama 25 projetos de vários players relevantes, além da Corio, os quais representam uma potência instalada de 64.4 GW e um investimento potencial de mais de R$ 1 trilhão, caso todos se viabilizem.
“Estamos falando de números da mesma dimensão da atual indústria de Óleo & gás no Brasil. Estamos a falar da nova indústria global não emissora de gases de efeito estufa”, lembrou Lucas.
No caso específico do Ceará, “ainda cabe destacar que a geração eólica offshore tem conexão central e direta com o desenvolvimento da cadeia de produção do Hidrogênio Verde, na qual o estado apresenta significativa vantagem competitiva por conta dos menores custos logísticos, pois está mais próximo dos grandes mercados consumidores desse combustível fundamental para a transição energética”.
O PL 576/2021 foi aprovado incialmente no Senado Federal em agosto de 2022. No fim do ano passado, ele o foi pela Câmara dos Deputados, que fez algumas modificações, o que o levou de volta para o Senado, onde está paralisado.
Há um impasse entre o Legislativo e o Executivo em torno de temas estranhos à geração de energia offshore. No texto do PL foram inseridos alguns jabutis, que nada têm a ver com a geração de energia eólica offshore. Mas, naquilo que concerne à geração eólica dentro do mar, não há qualquer impedimento para a sua aprovação.
Ricardo de Luca esclarece que “é importante destacar que os investidores com projetos registrados no Ibama, em sua esmagadora maioria, são empresas de energia de grande porte, com atuação global, detentoras de capacidade técnica e financeira para concretizar os projetos, e que o PL não cria qualquer subsídio ou privilégio para a geração de energia offshore, ou seja, não onera o consumidor de energia elétrica”.
SHOPPING EUSÉBIO É BOM LUGAR PARA TRABALHAR
Mais uma conquista está celebrando o Shopping Eusébio: ele recebeu, pela terceira vez consecutiva, o prestigiado selo Great Place to Work 2024. O reconhecimento destaca a empresa como um dos melhores lugares para se trabalhar no Brasil.
A certificação Great Place to Work é concedida com base em avaliações abrangentes dos colaboradores, que destacaram o Shopping Eusébio pela qualidade do ambiente laboral.
Entre as iniciativas que contribuíram para esse reconhecimento estão programas de desenvolvimento, capacitando os colaboradores a crescerem em suas carreiras dentro da organização. Além disso, o Shopping Eusébio investe em atividades voltadas para a saúde e o bem-estar, promovendo um equilíbrio saudável entre vida pessoal e profissional.
"A conquista mostra o compromisso do Shopping Eusébio em proporcionar um ambiente inclusivo e inovador, onde os colaboradores se sintam valorizados e motivados a contribuir com seu melhor", afirmou Romário Martins, Gerente de pessoas do Shopping Eusébio.
Primeiro semestre fecha com FPM positivo, mas municípios devem “controlar gastos”, diz especialista
Foto: Freepik
Com tendência de menor arrecadação no segundo semestre, municípios devem controlar investimentos para não precisarem fazer cortes no fim do ano, afirma Cesar Lima, assessor de orçamento
Com as contas dos municípios em maior equilíbrio depois de um primeiro semestre de alta nos repasses do Fundo de Participação dos Municípios (FPM), os prefeitos respiram aliviados. O presidente da União dos Municípios da Bahia (UPB) — Quinho — também é prefeito de Belo Campo. Depois de um 2023 de apertos, cortes e ajustes no orçamento das cidades baianas, ele e os colegas, enfim, conseguem pagar as contas em dia.
“Vejo com muito bons olhos, já que esse crescimento vai ajudar a fomentar a economia dos municípios. Principalmente aqui no Nordeste, é um mês que necessita muito de recursos para fazer a roda girar e alavancar a economia de cada cidade.”
No terceiro e último repasse de junho, os municípios receberam R$ 4,7 bilhões — 26% a mais que no mesmo período de 2023. Mesmo com algumas oscilações, os acumulados dos repasses deste ano seguem positivos em relação a anos anteriores. Reflexo das ações federais. 3º parcela jun/24 = R$ 4.795.391.616,29 (+ 26%)
3º parcela jun/23 = R$ 3.569.369.385,21
“No primeiro semestre do ano tivemos várias medidas do governo que aumentaram a arrecadação.” avalia o especialista em orçamento, Cesar Lima. Ele acrescenta que o primeiro semestre tende sempre a ter uma maior arrecadação e consequente repasse mais substancial para os municípios. Mas o segundo semestre não costuma seguir essa tendência.
Gestores precisam ser cautelosos
O FPM acumula — entre janeiro e maio deste ano — R$ 67,3 bilhões. O montante é superior ao que as cidades receberam no passado e, também, em 2022. No mesmo período de 2023, os municípios receberam em torno de R$ 64,2 bilhões do FPM. No ano anterior, embolsaram R$ 46,1 bilhões. Mesmo quando se compara os anos levando em conta o efeito inflacionário, 2024 é o mais positivo deles, trazendo aumento real de receitas para os cofres municipais.
FPM: soma dos repasses dos cinco primeiros meses de 2024 é maior do que em 2022 e 2023
Apesar do acúmulo positivo neste primeiro semestre, Lima prevê uma desaceleração desse aumento nos próximos meses.
“Não creio que esse aumento continue com tamanho vigor, até porque nós temos um cenário com uma inflação maior do que se esperava. E aquele ciclo de queda do juros que deu uma segurada, portanto a manutenção da taxa Selic deve esfriar um pouco os investimentos e o consumo de bens de maior valor agregado” o que para Lima, deve ter reflexos no FPM.
A orientação do assessor de orçamento é que os prefeitos “não contem com recursos incertos e saibam ter um melhor planejamento para evitar passar por momentos difíceis pela frente.”
Mesmo sabendo da tendência de baixa no crescimento, observada nos anos passados, o prefeito Quinho se mantém otimista.
“Espero que mantenha esse crescimento, haja vista que é notório o aumento de arrecadação dos diversos setores, principalmente com a atuação do Congresso Nacional, que viabilizou ações importantes juntamente com o Executivo, permitindo que essa arrecadação aumentasse.”
Veja aqui o valor que a sua cidade vai receber

#FPM#Municípios#Orçamento
Câncer de vagina: quais o sintomas, prevenção e tratamento
Foto: Reprodução/Canal Doutor Ajuda
Neste episódio a ginecologista, Cristina Anton, explica sobre o câncer de vagina
O câncer de vagina é um tumor que não costuma apresentar sintomas no começo da doença. No entanto, o sangramento fora do período menstrual é o sinal mais associado a este tipo de câncer. Também é comum o sangramento após relações sexuais ou após a menopausa. Pode haver secreção vaginal parecendo um sangue aguado.
Entre os sintomas que podem indicar câncer de vagina estão: dor para urinar, obstipação, dor pélvica ou massa palpável na vagina. Saiba que quando os sintomas aparecerem, o câncer já está em estágio avançado.
Fatores de risco
Já os fatores de risco para a doença são: Infecção pelo HPV;
Uso de dietilestilbestrol pela mãe da paciente durante a gravidez, que era um remédio usado para prevenção de abortos.
Diagnóstico
Geralmente, a suspeita do câncer de vagina é vista pelo médico durante o exame físico ginecológico. O médico vai colocar um aparelho chamado espéculo no canal vaginal e vai visualizar se existe alguma lesão, ele pode colher também o Papanicolau, que serve para o rastreamento do câncer do colo do útero, mas na coleta podem vir algumas células vaginais também. Se houver alguma suspeita, deve-se realizar a colposcopia, que é um exame onde se olha o colo e a vagina com uma lente de aumento e se usa alguns produtos para se identificar áreas alteradas, e se houver algo suspeito, será realizada a biópsia.
Câncer de vagina é igual ao câncer de colo de útero?
Não! Mas estão tão próximos que às vezes se confundem. O colo do útero é a porção final do útero, por onde sai a menstruação e fica no fundo da vagina. A vagina é um tubo muscular que conecta o final do útero com a parte externa da genitália.
O câncer de colo de útero está entre os tumores mais comuns entre as mulheres, ele pode crescer e progredir, se espalhando pela vagina, chamado de câncer de colo de útero invadindo a vagina. Essa situação é diferente do câncer de vagina primário, ou seja, aquele que foi originado na vagina. O câncer de vagina e o de colo de útero podem ter os mesmo sintomas, fatores de risco e a prevenção semelhantes.
Tratamento
O tratamento vai depender muito da localização dos tumores e se tem o comprometimento de outros órgãos. O tratamento pode envolver:Cirurgia;
Quimioterapia;
Radioterapia.
Se o diagnóstico ocorrer nas fases iniciais da doença, as taxas de sucesso são bem altas. Já nas fases mais avançadas, o tratamento tem o objetivo de melhorar a qualidade de vida da pessoa, daí a importância do diagnóstico precoce e da prevenção.
Prevenção
A vacina da HPV previne que você tenha a infecção pelo vírus HPV, e com isso diminui a chance de ter o câncer de vagina e de colo. No SUS, a vacina está disponível para crianças de 9 a 14 anos de idade e de 9 a 45 anos para pessoas imunossuprimidas, aquela com HIV/AIDS, transplantadas e pacientes com câncer. Pacientes entre 9 e 45 anos que foram vítimas de violência sexual, também podem receber essa vacina pelo SUS. na rede privada a vacinação pode ser feita e abrange um maior número de HPV.
Vacine-se contra o HPV e levem seus filhos para também serem vacinados. Não fumar também ajuda a diminuir o risco. Usar preservativo diminui o risco de infecção, mas não impede totalmente a contaminação pelo vírus. Qualquer contato íntimo com a região genital pode transmitir o vírus e nem sempre a camisinha fornece a proteção completa.
'Pix Garantido': BC avança na modalidade que poderá ser alternativa ao cartão de crédito
Modalidade ainda está em desenvolvimento e não tem data para ser lançada. Diferentemente do cartão de crédito, é necessário ter o dinheiro disponível em conta para usar o Pix Garantido, explica a Febraban.
Por Alexandro Martello, g1 — Brasília
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Pedidos de pix e transferências por celular são feitos por criminosos no Espírito Santo. — Foto: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Banco Central trabalha no desenvolvimento do chamado "PIX Garantido", que possibilitará o parcelamento de compras pelos clientes no futuro por meio desse sistema de pagamentos — assim que implementado.
A modalidade poderá ser uma alternativa ao parcelamento no cartão de crédito, que é muito popular nas compras de produtos de maior valor. O BC não deu mais detalhes sobre o PIX Garantido, nem informou se haverá cobrança de juros nessa modalidade.
"O PIX Garantido (parcelado) é um produto na agenda evolutiva do PIX, porém ainda não foi lançado pelo Banco Central e não há previsão de lançamento. Nada impede que os bancos, desde já, ofertem crédito e a possibilidade de pagamento em parcelas com o PIX aos seus clientes. É um produto de cada banco", informou o Banco Central.
Algumas instituições financeiras, como observado pelo BC, se anteciparam e já oferecem a alternativa, na maior parte das vezes como uma operação de crédito (veja mais abaixo nessa reportagem).
A Federação Brasileira de Bancos (Febraban) explicou que, no caso do PIX garantido, será necessário que os clientes tenham dinheiro na conta corrente para realizar os pagamentos nas datas de vencimento das parcelas.
"Diferentemente do cartão de crédito, é necessário ter o dinheiro disponível em conta para usar o PIX Garantido. A expectativa é que o PIX complemente as atuais formas de pagamento, com maior comodidade ao usuário", informou a entidade.
▶️Em tese, caso o cliente não tenha recursos para honrar as parcelas no vencimento do futuro PIX Garantido, ele acaba entrando no limite do cheque especial (se houver). Nesse caso, a transação acaba se convertendo em operação de crédito -- com a cobrança de juros na modalidade do cheque especial.
▶️Ainda não há definição sobre o que pode acontecer no PIX garantido se o cliente não tiver dinheiro na conta, ou limite no cheque especial, para honrar o pagamentos, no dia do vencimento. Pois essa modalidade ainda não foi regulamentada pelo BC.
▶️No cartão de crédito, o valor da compra é pago aos lojistas pela instituição financeira no mês da aquisição do produto ou serviço, ou de forma parcelada (se a compra for feita dessa forma).
▶️O crédito rotativo do cartão é cobrado dos clientes somente quando não é pago o valor total da fatura na data do vencimento — o que inclui as parcelas mensais de compras, se for o caso. Essa é a linha de crédito mais cara do mercado financeiro.
Cuidado com o golpe do pix
Alternativa de parcelamento
Em agosto do ano passado, o presidente do BC, Roberto Campos Neto, afirmou que o PIX garantido será uma alternativa de parcelamento aos clientes.
Naquele momento, uma das propostas em discussão, que acabou não sendo implementada, era fim do rotativo do cartão de crédito, e o parcelamento do saldo devedor com juro menor.
Em linha com lei aprovada pelo Congresso. o governo acabou limitando o saldo devedor do cartão de crédito, medida que entrou em vigor em janeiro deste ano.
"É super importante, a gente está fazendo várias políticas com o PIX crédito, que vão desafogar e dar alternativas. Mas a nossa ideia era dar uma opção que passasse por ter um parcelamento, e não ter o [crédito] rotativo [do cartão]. De tal forma que a gente conseguisse equilibrar os números por produto", declarou Campos Neto, do Banco Central, em agosto de 2023.
Atrito entre bancos e 'maquininhas'
A discussão sobre os juros do cartão de crédito rotativo gerou atrito entre os bancos e credenciadoras independentes, as chamadas maquininhas.
Como pano de fundo das discussões, está o parcelado sem juros no cartão de crédito, questionado pelos bancos, mas defendido pela equipe econômica e pelos credenciadores independentes.
A Febraban informou, no ano passado, que "não há qualquer pretensão de se acabar com as compras parceladas no cartão de crédito", mas questionou as operações com número maior de prestações.
Segundo a entidade, a inadimplência das "compras parceladas em longo prazo é bem maior do que na modalidade à vista, cerca de 2 vezes na média da carteira e 3 vezes para o público de baixa renda".
No fim de 2023, entidades de defesa do consumidor e ligadas ao setor de comércio e serviços lançaram o movimento "Parcelo Sim!", que busca "salvar o parcelado sem juros". A petição conta com mais de 1 milhão de assinaturas.
"Todos sabem que o Parcelado Sem Juros ajuda muito o brasileiro a conseguir conquistar seus sonhos. Também é importante para quem passa por um momento de dificuldade e precisa parcelar", dizem as entidades.
Setor financeiro antecipa PIX parcelado
Os maiores bancos do país, assim como várias fintechs (pequenas empresas de tecnologia do setor financeiro), já oferecem o parcelamento por meio do PIX.
Essa alternativa, entretanto, está sujeita às regras de cada banco.
Na maior parte das vezes, o PIX parcelado disponível no sistema financeiro funciona como uma operação de crédito, ou seja, há cobrança de juros e incidência de IOF. Por isso, os clientes devem ficar atentos às regras na hora de fazer a contratação.
A taxa de juros cobrada costumar variar de acordo com número de parcelas, do valor da compra, o relacionamento do cliente com cada banco e seu nível de risco de crédito.
Esse parcelamento é diferente daquele disponível no cartão de crédito, onde o crédito só é contratado, com incidência de juros e do IOF, quando o valor total da fatura não é quitado.
No Banco do Brasil, por exemplo, a instituição "possibilita parcelar o valor da transferência por meio de empréstimo pessoal", ou seja, há incidência de juros e IOF. "Basta escolher a quantidade de parcelas como preferir e confirmar a contratação do crédito e do Pix na mesma transação no celular", diz a instituição.
O Santander oferece a funcionalidade, também como operação de crédito. Na internet, a instituição informa que é possível parcelar em até 24 vezes, mas que é "necessário contratar um crédito no valor da sua transferência", com incidência de IOF.
No Itaú, o banco informa que "adianta o crédito para realização da transferência ou pagamento". "Para quem compra utilizando esta modalidade, a vantagem é que é possível parcelar valores de 12 a 24 vezes com juros mais atrativos do que os dos cartões de crédito convencionais", diz a instituição.
PIX automático e agendado
Enquanto trabalha nas regras para o PIX garantido (parcelado nas compras de produtos e serviços), O Banco Central se prepara para lançar, em outubro deste ano, duas novas modalidades: o PIX automático e o PIX agendado recorrente.
Por serem modalidades que permitirão o agendamento de débitos nas contas dos clientes, se assemelham ao PIX garantido (parcelado).
Pela regulamentação do PIX automático e agendado, no caso de não haver recursos na conta de quem deve fazer os pagamentos, no dia do vencimento, serão enviadas notificações aos clientes e novas tentativas serão feitas nos dias seguintes.
O Pix automático poderá ser usado, por exemplo, para pagar:
contas de água e luz
escolas e faculdades
academias, condomínios
parcelamento de empréstimos
Esse tipo de pagamento já pode ser feito através do débito automático, mas na avaliação do Banco Central, o Pix automático terá a capacidade de alcançar mais pessoas.
Com o Pix automático, a empresa não precisará firmar um contrato com cada instituição financeira, bastará fazer um único acordo com um banco que esteja ofertando a modalidade às empresas.
A oferta do serviço do Pix automático vai funcionar da seguinte forma:
Para pessoas físicas: os bancos serão obrigados a ofertar a modalidade para os clientes.
Para as empresas: os bancos escolhem se querem ou não ofertar esse produto para determinada empresa.
O Pix agendado poderá ser usado, por exemplo, para:
Mesada
Doação
Aluguel entre pessoas físicas
Prestação de serviço recorrentes por pessoas físicas (como diarista, terapia, etc.)
Opinião |Presidente Lula é o grande responsável pela disparada do dólar
Lula ignora que as cotações do dólar só dispararam porque aumentou a incerteza na economia pela deterioração fiscal

Por Celso Ming
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva advertiu na última quinta-feira que “os apostadores na alta do dólar quebrarão a cara”. Se deveria produzir algum efeito, a ameaça produziu efeito contrário.
A cotação do dólar subiu 6,4% em junho e nada menos que 15,1% neste primeiro semestre do ano.
O presidente ainda tentou vender o diagnóstico equivocado de que, por trás dessa alta, há especulação com derivativos. Finge ignorar que, com ou sem o jogo de especuladores, as cotações do dólar dispararam porque aumentou a incerteza que tem a ver com a deterioração das contas públicas.
As chamadas despesas obrigatórias representam 93% do Orçamento e deixam menos de 10% para a cobertura das demais despesas. Aproxima-se perigosamente o dia em que ultrapassarão os 100%.
Essa é avaliação indesmentível, que vai acendendo luzes amarelas em todas as mesas de fechamento de negócios. Um dólar cada vez mais alto encarece os produtos importados e aqueles que, embora produzidos aqui, são cotados em moeda estrangeira, caso dos combustíveis e de grande número de alimentos. É inflação injetada nas veias da economia e questiona sobre o que o Banco Central fará com os juros.
Lula ainda não entendeu que esse alastramento da incerteza tende a lhe custar alto custo político e eleitoral. Por enquanto, limita-se a malhar o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, como bode expiatório – expediente que tem tudo para ser tiro no pé, porque em apenas seis meses, o Banco Central estará sob a direção de quem Lula indicar e poderá faltar então o culpado da hora.
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Do ponto de vista meramente técnico, não há muito por que temer por uma corrida ao dólar nos moldes das que houve nos anos 1970 e 1980, quando o Brasil quebrou e teve de decretar a moratória da dívida em dólares. As contas externas seguem exuberantes, graças à força das exportações de commodities (petróleo, minério e grãos). E há US$ 357,3 bilhões em reservas externas. A alta do dólar explica-se principalmente pela retenção de receitas em moeda estrangeira com exportações no mercado global.
Dá para reverter esse movimento de busca de proteção no dólar. Bastaria para isso que o presidente Lula mudasse sua postura em relação à questão fiscal. Muita gente não acredita nisso, baseada na convicção de que é da natureza do escorpião picar até mesmo quem lhe dê carona na travessia do rio. O que eventualmente poderia levar o presidente a reconverter-se à responsabilidade fiscal seria a aproximação de uma crise que lhe custasse grandes perdas eleitorais. O risco é o de que chegue o dia em que isso seja tarde demais.
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