sexta-feira, 3 de março de 2017

PATRIMÔNIO Aniversário e nova direção



Lúcio Alcântara assume a direção do Instituto do Ceará. A posse acontece neste sábado (4), na sede do equipamento



Ex-governador do Estado, o médico e escritor Lúcio Alcântara assume a gestão do Instituto do Ceará para o biênio 2017-2019 ( Foto: Helene Santos )

O médico, escritor e ex-governador do Estado (2003-2006), Lúcio Alcântara, tomará posse como novo diretor do Instituto do Ceará (Centro) neste sábado (4), às 17h. A solenidade marca o início da gestão de Lúcio (73) à frente do equipamento cultural. O Instituto do Ceará, focado no aspecto histórico, geográfico e antropológico do que se refere ao Estado, ainda completa 130 anos de fundação na mesma data.

Eleito por 40 sócios vitalícios do Instituto (a exemplo da Academia Cearense de Letras, a personalidade só deixa de ser sócia em caso de falecimento), Lúcio declara, em entrevista por telefone, que não pretendia mais assumir algum cargo executivo, público ou privado. Mas pontua que, tendo em perspectiva sua vida pública, aceitou o convite também em retribuição ao que a vivência no Ceará já lhe proporcionou até aqui.

"Houve o convite dos colegas, e terminei tendo que dar mais essa contribuição, porque não pudemos se recusar a essas tarefas, principalmente quem tem a vida pública. E acho que já recebi tanto do Ceará, do povo cearense, que tudo que eu possa devolver ainda é pouco. E isso acabou vencendo minha resistência", observa Lúcio Alcântara. Além de governador do Ceará, Lúcio foi prefeito de Fortaleza (1979-1982) e senador da República (1995-1999).

Também à frente da direção do Instituto do Câncer, instituição ligada a sua família (e que conta, por exemplo, com o envolvimento da médica Lúcia Alcântara, sua irmã), Lúcio conta que, de uma maneira geral, vai buscar intensificar a interação do Instituto do Ceará com a sociedade. Para definir um programa específico de gestão, o médico expõe que precisará construir, em diálogo, com os demais sócios.

No entanto, ele adianta algumas diretrizes: "temos um museu muito bom, a biblioteca com muitas raridades. E isso precisa ser mais conhecido e usufruído pela sociedade. A relação com a rede escolar, com os professores, difundindo a história do Ceará", detalha Lúcio.

O médico observa que é preciso aumentar a visibilidade do equipamento. Comenta que, "tem muita gente bem formada, instruída, que desconhece o Instituto. A gente quer ter uma aproximação maior com a academia, com as instituições de ensino superior. Sempre fortalecendo o Instituto do Ceará como um centro da cultura do Estado", reflete.

Lúcio Alcântara revela que recebe o prédio da sede do Instituto do Ceará, o Palacete Jeremias Arruda (Centro), edificação tombada pela Secretaria da Cultura do Estado (Secult), em boas condições. O médico percebeu que as gestões anteriores, como a de José Augusto Bezerra (2007-2013) e Ednilo Soarez (2013-2015), realizaram modificações em termos do prédio.

"Sabe como é prédio antigo, de vez em quando aparece alguma coisa. Mas as condições estão relativamente boas. E o Instituto tem muitos desafios, como a de financiamento. As instituições lutam com essas dificuldades de recursos", expõe Lúcio.

Rede de relações

Quando foi empossado como presidente da Academia Cearense de Letras, no último dia 16, o magistrado Ubiratan Aguiar falou da necessidade de se criar um diálogo mais efetivo entre as instituições que se preocupam em preservar a memória e a cultura do Ceará. Segundo Aguiar, a orientação sugere que cada entidade não funcione isolada em "ilhas".

Lúcio endossa essa necessidade, e reforça que a questão estará "presente no meu discurso (de posse do Instituto do Ceará), estabelecendo um maior relacionamento com todas as entidades culturais, dos mais diversos termas do Estado. Acho importante, essa rede de relações", qualifica o médico.

História

Completando 130 anos de fundação neste sábado (4), o Instituto do Ceará teve como um de seus principais fundadores o Barão de Studart (1856-1938). Sua dedicação é marcada pelo modo como o Palacete Jeremias Arruda costuma ser chamado, "Casa do Barão" (sem relação com a Casa do Barão de Camocim, também localizada no Centro da cidade), na Praça do Carmo.

Outra tradição do Instituto é a continuidade de publicação das edições da revista do Instituto do Ceará, editada desde 1887 - uma das mais antigas de todo o Estado. O conteúdo é organizado em torno das pesquisas, sempre com o recorte histórico, geográfico e antropológico local, vinculadas aos estudos dos 40 sócios vitalícios. Até então, mais de 120 números da revista foram publicados.

A estrutura do Instituto do Ceará ainda conta com auditórios, livraria, hemeroteca, setor de registro audiovisual (disponível para consulta sob agendamento), laboratório de restauro e conservação, o Museu Barão de Studart (que pode ter visitas orientadas também diante de agendamento) e uma biblioteca reunindo 39 mil títulos catalogados. Esta funciona de segunda a sexta, das 8h às 17h.

Mais informações:

Posse do novo diretor do Instituto do Ceará (Lúcio Alcântara). Neste sábado, 4, às 17h, no Palacete Jeremias Arruda (Rua Barão do Rio Branco, 1794, Centro). Cerimônia para convidados. Contato: (85) 3021.7559

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