sábado, 4 de março de 2017

Exercite o cérebro desde cedo


A troca de experiências e a conexão de múltiplas linguagens potencializam a inteligência em diferentes faixas etárias. Isso é feito por meio de método pedagógico que induz o diálogo entre áreas do conhecimento e de saberes




 Jacqueline Nóbrega - Repórter
Os professores Núbia Leite, Mayara Pontes e João Victor Laurentino integram o grupo do Instituto Experimentes ( Foto: Thiago Gadelha )

Exercitar o cérebro é tão importante quanto praticar exercício físico. Aprender algo novo, por exemplo, pode fazer toda a diferença e retardar a perda progressiva de memória. Exercícios cognitivos também desenvolvem o raciocínio lógico e a capacidade de solucionar problemas com maior rapidez.

De acordo com o engenheiro biomédico Alexandre Lobo, até poucos anos atrás acreditava-se que a mente tinha um período de intenso desenvolvimento e depois estabilizava. Com o tempo, a tendência seria a perda de funções. No entanto, o profissional ressalta que este conceito está ultrapassado.

"Quanto mais utilizamos e colocamos o cérebro à prova, mais ele será capaz de evoluir, se auto-ajustar e criar novas capacidades. Se buscarmos uma definição, esta capacidade de mudança na rede neuronal por meio de estímulos externos é chamada de neuroplasticidade. É daí que vem o conceito geral de ginástica cerebral. Exercitar o cérebro de forma adequada através da experimentação", diz o engenheiro biomédico.

Estímulo para pensar

Após iniciar uma pesquisa na área de neurociências aplicada à educação durante seu Pós-Doutorado, na Inglaterra, Alexandre Lobo se uniu a uma equipe com expertise em educação no Brasil para desenvolver um método que chega agora a Fortaleza. Ele é um dos idealizadores do Instituto Experimentes, que tem como proposta, com um programa composto por aulas de artes, desenho, cinema, música e narrativas, potencializar ao máximo a inteligência dos alunos de diferentes faixas etárias.

O professor João Vitor Laurentino ministrará as aulas de robótica, cuja programação é um mix de tecnologia e artes. O objetivo é facilitar o aprendizado e desenvolver as competências de cada um. "Ao passo que aprendemos as sinfonias de Vivaldi, criaremos jogos com suas composições. A medida que conhecemos as pinturas de Leonardo da Vinci, trabalharemos com conceitos primordiais de robótica abordados pelo pintor".

A abordagem inclui, ainda, os conceitos de lógica de programação, otimização de código, algoritmo e sequência de ideias, fundamentais não apenas na programação, mas em toda atividade sequencial. O objetivo principal é estimular o aluno a pensar. As oficinas, explica João Vitor, foram construídas por uma equipe multidisciplinar visando a troca de experiências e a conexão das múltiplas linguagens.

A professora Mayara Pontes, por sua vez, mediará as oficinas de artes que têm como proposta fazer com o que os alunos compreendam o universo da cultura visual por meio da leitura, produção e contextualização de obras de arte e artefatos cotidianos. "Não buscamos desenvolver apenas habilidades técnicas ou práticas-manuais, mas produzirmos em conjunto um conhecimento humano, filosófico, crítico e reflexivo. A arte e ciência têm muito em comum, assim como todas as áreas do conhecimento se interligam de alguma forma", pontua.

Ginástica cerebral

A princípio, o curso do Experimentes, cujas aulas começam neste mês, será voltado para três faixas etárias: cinco a sete anos, oito a 11 anos e de 12 a 17 anos.

Há previsão de lançar em breve um programa de ginástica cerebral para a terceira idade, assim como cursos específicos para adultos com foco na melhoria da atenção e aprendizagem. O método consiste em um programa de dois anos de atividades, com dois ou três encontros semanais.

Segundo Sônia Pinheiro, que também assina o projeto como uma das idealizadoras, o programa trabalhará com vários recursos e uma proposta pedagógica que coloca o aprendiz como protagonista no ato de aprender. "Assim, cada um fará deslocamentos pessoais, ou seja, aprenderá em seu ritmo", explica.

Inteligências

Um dos pilares do Instituto Experimentes é a 'Teoria das Múltiplas Inteligências', desenvolvida pelo psicólogo norte-americano Howard Gardner e já estudada por vários grupos ao redor do mundo, inclusive com trabalhos de pesquisa em educação no Brasil.

Essa teoria surgiu após muitos anos de pesquisas de Gardner com a inteligência humana, quando chegou à conclusão que o cérebro humano possui não só um, mas oito tipos de inteligência (a maioria das pessoas possui uma ou duas desenvolvidas).

As inteligências propostas pelo psicólogo são: lógico-matemática, linguística, musical, espacial, corporal-cinestésica, intrapessoal, interpessoal, naturalista, existencial.

"Avaliar o comportamento dos sinais biológicos humanos durante situações de estímulo cerebral nas mais variadas formas e fazer com que isso beneficie os aprendizes de qualquer faixa etária foi o que motivou o desenvolvimento", justifica o engenheiro biomédico Alexandre Lobo.

As aulas no Instituto Experimentes começam dia seis (experimentes.Com.Br); a aula de experimentação é gratuita.

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