terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

HRC sofre desvio de finalidade



André Costa Colaborador


Juazeiro do Norte Inaugurado há quase seis anos, o Hospital Regional do Cariri (HRC), única unidade terciária da macrorregião do Cariri, está passando por desvio de finalidade e cortes no orçamento, conforme foi identificado durante inspeção realizada na última sexta-feira (10) por defensores públicos, integrantes do Grupo de Trabalho da Saúde da Defensoria Pública do Ceará.

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.Atendimento já comprometido

O diretor de Gestão e Atendimento do Hospital, Bergson de Brito, confirmou a constatação dos defensores e confidenciou que as perspectivas financeiros, "são muito ruins", diante dos cortes econômicos realizados pelo Governo Federal. "Temos uma estimativa de que seja reduzido o nosso orçamento entre 10 a 15% e já estamos preocupados em saber como vamos fazer. A gente vive com o temor de que algo seja cortado no orçamento para este ano e estamos direcionando os nossos esforços para aquele paciente que é mais urgente, em condição crítica de saúde, que clama por uma urgência", explica.

Segundo Damito Robson Xavier, coordenador da emergência do HRC, atualmente há um "inchaço na demanda" e os recursos da unidade não estão suportando. "Antes do HRC, na rede pública, só havia unidade de AVC em Fortaleza, no Hospital Geral. É distante demais, cerca de seis horas via ambulância, e o tempo para evitar sequelas em pacientes que moram no Cariri é de até 4h30. Se o paciente estiver com os primeiros sintomas, em qualquer unidade de saúde da região, eles mandam para o HRC. Mas chegou ao ponto de mandarem todos os tipos de demanda, que muitas vezes poderiam ser resolvidas em posto de saúde ou nas UPAs", explica.

"Boa parte dos atendimentos eletivos ficaram sacrificados porque os leitos recentes estão sendo consumidos pela emergência", pontua Bergson. Diante da dificuldade de atendimento na unidade, a defensora pública Ramylle Maria de Almeida Holanda conta que diariamente atende casos de pacientes que recorrem à Justiça para ter acesso à saúde. "As ações mais comuns são solicitações por medicamentos, exames e cirurgias ortopédica", pontua. Ainda conforme ela, o HRC não estaria fazendo cirurgias eletivas, mas apenas realizando as cirurgias de urgência e emergência.

"Dessa forma, muitos que estão na fila de espera não conseguem nem mais ter a reparação da lesão, devido à demora do atendimento. A inspeção também é voltada para identificar quais são os problemas para o hospital não estar funcionando da forma que ele foi pensado inicialmente, quais são os gargalos e quais as razões de tudo isso estar chegando nas portas da Defensoria Pública", completou. O HRC foi a sétima unidade vistoria pela comissão da defensoria pública.

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